Na luta pela inclusão
Curitiba - Com histórias de vida bem diferentes, dois padres da Capital trabalham para garantir dignidade aos idosos e às pessoas com deficiência. Para eles, a solução dos problemas que essas pessoas enfrentam está na inclusão social.
Padre Wilson Czaia, de 39 anos, nasceu com deficiência auditiva. Sua militância a favor das pessoas com deficiência surgiu ainda na juventude, quando participava de movimentos religiosos ligados ao público e percebeu ''que não são apenas os surdos que sentem dificuldades''. Aos 30 anos, ele entrou para a vida religiosa, interesse que tinha desde a infância, e ampliou sua atuação para a inclusão de pessoas com deficiência auditiva, visual, motora e intelectual.
Único padre surdo do Brasil em exercício, padre Wilson abriu em sua paróquia, a Nossa Senhora da Ternura, um espaço que as pessoas não encontravam nas demais igrejas. Como coordenador da Pastoral da Pessoa com Deficiência, que atende mais de 200 indivíduos, ele garantiu o engajamento dos fiéis e trabalha para que todos desenvolvam seus dons. ''Queremos que se sintam mais acolhidos pela sociedade. Todos temos capacidades, mas que ficam escondidas'', afirma. Com orgulho, padre Wilson lembra de diversos fiéis que se destacaram na sociedade estimulados pelo trabalho da pastoral. ''Aumentamos a comunicação.''
Assim como ele, o padre José Aparecido Pinto, de 42 anos, teve uma ''vocação tardia''. Ele iniciou a vida religiosa aos 26 anos, em Santa Cruz do Rio Pardo, em São Paulo, em 1984, e um ano depois chegou a Curitiba. O primeiro contato com a causa social foi em 1999, quando atuou junto a uma comunidade pobre em Borda do Campo, em São José dos Pinhais (RMC).
O contato com a causa do idoso veio anos mais tarde, quando assumiu a coordenação da Ação Social do Paraná. ''A terceira idade é muito cativante. Foi uma grande transformação na minha vocação, não imaginava'', lembra o padre, que hoje é coordenador do Asilo São Vicente de Paulo e considera a atuação social como uma vocação para a sua missão religiosa.
Para o religioso, a defesa dos direitos dos idosos não se limita apenas a casas de longa permanência, mas também no acolhimento dentro de suas casas, no relacionamento com as famílias. (Carolina Gabardo Belo/Equipe da Folha).





