Bandeirantes - Em plena zona urbana de Bandeirantes (Norte), dois jovens técnicos da secretaria de Saúde vasculham uma área de nascentes em busca de caramujos. Eles querem saber se há por ali, nas águas que estão a poucos metros das moradias, o hospedeiro intermediário da esquistossomose, a popular ''barriga d'água''. Encontram aos pares. Não é por acaso que muitos moradores da Vila São Pedro - margeada pelo Ribeirão Água das Antas, afluente do Rio das Cinzas - estão contaminados pela doença.
O caso de Bandeirantes é emblemático. Ciente da presença da doença no município, a equipe da secretaria resolveu erguer a cabeça e encarar o problema de frente, sem mascarar dados ou empurrar a sujeira para debaixo do tapete. A farmacêutica Simone Castanho, responsável pelo controle de endemias, tem na ponta da língua todos os números sobre a barriga d'água.
Ela conta que, em todo o ano de 2008, foram realizados 889 exames de fezes com o propósito de diagnosticar a doença entre os moradores; 86 foram positivos. Neste ano já foram colhidas 1,7 mil amostras, das quais 893 já foram para o microscópio. Resultado: 104 exames positivos de pessoas de todas as idades. Tudo isso com apenas um microscópio à disposição até então. Na última semana, o Governo estadual mandou mais três aparelhos à cidade, o que deve dar um impulso à leitura das lâminas que já estão prontas.
''Até o ano passado os exames eram feitos apenas nas pessoas que moravam nas áreas consideradas de risco. Neste ano, depois de um mapeamento feito pela Vigilância Sanitária, decidimos examinar a cidade toda'', comenta o secretário municipal de Saúde, Carlos Gongora, preocupado com o fato de mais de 10% dos exames de fezes realizados até agora serem positivos para esquistossomose. Isso significa que mais de três mil pessoas podem estar contaminadas na cidade de 32 mil habitantes.
A esquistossomose pode causar sérias complicações, inclusive mentais, ou até levar à morte, como aconteceu com um morador de 55 anos há dois meses. É causada por um parasita, o Schistosoma mansoni, que se reproduz no organismo humano.
Para evitar o problema são necessárias medidas como rede de esgoto e erradicação do caramujo. Bandeirantes trata 95% do esgoto da área urbana. A suspeita é que a doença esteja sendo causada pelos 5% não tratados e por ligações clandestinas. Já eliminar os caramujos é tarefa difícil. É preciso fazer a limpeza de todos os barrancos de rios, córregos, lagoas... Trabalho que depende de uma autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), já requisitada pela prefeitura.
Enquanto isso, o jeito é conscientizar a população para ficar longe das águas, descobrir os doentes e tratá-los. O tratamento, aliás, é simples e barato. Basta um dose única de remédio.

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