O chefe da lavanderia da casa dos estudantes, Alcebíades Cordeiro dos Anjos, 60 anos, é considerado a história viva da CEU, e conta que já testemunhou vários fatos pitorescos. Participou de trotes, festas, viu muitas personalidades de destaque. ‘‘Dava para escrever um livro’’, diz Alcebíades.
Ele conta que Jânio Quadros visitou a CEU quando candidato à Presidência da República. Durante a visita, o candidato fazia as suas promessas, quando um estudante jogou sobre ele um saquinho cheio de água, que por pouco não acertou Jânio em cheio. ‘‘Jânio olhou para o saquinho e disse: isso é que é democracia’’, conta Alcebíades. O roupeiro também diz que Gilberto Gil, logo que voltou do exílio, sentou-se com os estudantes e contou para eles suas histórias, enquanto tocava seu violão. Conta ainda ter conhecido o comediante Ari Toledo e o ‘‘maluco beleza’’ Raul Seixas.
Mas as curiosidades da CEU não se resumem a visitas ilustres. Várias histórias curiosas são lembradas pelo chefe da lavanderia, como quando os estudantes soltaram os bichos do Passeio Público e levaram para dentro dos alojamentos. ‘‘Foi uma baderna’’, lembra Alcebíades, saudoso dos velhos tempos, que ele mesmo insiste em chamar de ‘‘a época das vacas gordas’’. Ele diz que os estudantes eram mais interessados, mais ligados em suas profissões. ‘‘Eles sempre se reuniam para discutir sobre suas carreiras, conversavam mais e se dedicavam muito mais à CEU’’. (P.G.)

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