Na hora do almoço, marmita é a maior atração da Rocha Pombo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de janeiro de 1997
Da Redação 
Paulo WolfgangTerezinha: Gostosa e bom preço
São onze e meia da manhã na praça Rocha Pombo. Nesse horário, ninguém dá a mínima para a sacola de bugigangas paraguaias do aposentado João Ferreira. Estômagos roncando, os olhos são todos para a caixa de isopor ao lado do banco do seu João. A diarista Terezinha Soares da Cruz, na praça todos os dias, acaba de abrir seu mini-marmitex. O cheiro da comida invade as narinas presentes. Ela confere o cardápio - arroz, feijão, bife acebolado, beringela frita, farofa de carne e um saquinho à parte com salada de tomate e repolho - e dá a primeira garfada.
Folha - Está boa a comida?
Terezinha - Muito gostosa, bem temperada, boa de sal e o precinho é muito bom. Como um marmitex desse todo dia.
Folha - O que você comia antes?
Terezinha - Antes eu comia lanche, mas esta comida é 10 vezes melhor que lanche e é mais barato. Lanche só faz crescer a barriga da gente.
Folha - E o cardápio, é sempre o mesmo?
Terezinha - Qual o quê! Todo dia é diferente. Mas na sexta-feira é melhor, tem maionese e frango assado. Mas por que cê quer saber tudo isso?
Folha - Pra por no jornal, você vai sair na Folha.
Terezinha - Vê lá o que cê vai escrever, Hein! Não vai queimar o meu filme.
Tranquilizada, Terezinha, agora conversando com um senhor, continuou comendo enquanto, ao lado, o aposentado João Ferreira atende mais duas mulheres que também queriam experimentar da comida do isopor.
(Apolo Theodoro)


