Na hora da venda, carro pega comprador
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quarta-feira, 30 de abril de 1997
Lúcio Horta 
Mário CésarOps!Atropelado pelo carro que poderia comprar, Borges é atendido pelo Siate: sem ferimentos sériosSe a intenção era comprar o carro, o negócio começou mal. Osvaldo Borges, 55 anos, foi acompanhar o genro até a rua Paranaguá, região central de Londrina, para conhecer o Gol de Luiz Emílio Ferreira. Os dois, genro e sogro, passaram os olhos em lataria, pintura, estofamento, estado dos pneus etc. Tudo com muito cuidado, sem deixar passar nenhum detalhe.
Depois da geral, o mais importante: o motor do veículo. Todo mundo sabe que se estiver queimando muito óleo, fazendo barulho esquisito, o motor já está rajando. Daí para fundir é um pulinho. Por isso, o cuidado é redobrado na avaliação.
O Gol de Luiz Emílio estava estacionado na garagem do edíficio Serra Negra, a menos de um metro da parede, com a tampa do capô aberta. Com a experiência de quem sabe muito da arte, seu Osvaldo foi para frente do carro e deu a ordem: Liga o bicho!
Meio desligado, com nota zero em persuasão, Luiz Emílio acionou a chave mas esqueceu de colocar o câmbio em ponto morto. Não deu outra: o carro deu um tranco e pulou para cima de Osvaldo, prensando-o contra a parede. Agora ligadão, Emílio esqueceu o negócio, engatou a ré e saiu em quinta marcha atrás de um telefone para chamar o Siate.
A ambulância chegou rapidinho e levou seu Osvaldo para o Hospital Evangélico. Mas, felizmente, não era nada de grave, apenas uma luxação no joelho esquerdo, que lhe valeu um incômodo gesso. Foi só um susto, ele já até ligou para avisar que não tinha nenhuma fratura. Mas na hora nem sabia direito o que aconteceu, disse Emílio, aliviado. Já sobre o negócio, acha até que pode sair, quem sabe com um desconto.
Mas, para falar bem a verdade, ontem à noite ele não demonstrava uma só pontinha de esperança.


