Na comemoração, amigos
não dispensam ‘farinhada’
A festa na Concha Acústica serviu para agradar além dos próprios vestibulandos, pais e mães que temem trotes violentos. A nova forma de divulgação do resultado do vestibular ajudou a sepultar este tipo de prática.
Para coibir o trote violento, a UEL decidiu tomar algumas medidas, como o lançamento da campanha ‘‘Calouro Cidadão’’, que estimula os calouros a trocar um quilo de alimento por uma camiseta patrocinada pela Folha e pela concessionária de veículos Metronorte.
‘‘Antes mesmo da divulgação, foram trocadas todas as camisetas disponíveis’’, disse Maria Helena Schwartz, presidente da Associação de Ação e Cidadania Pró-Servidores da UEL, que promoveu a arrecadação. Os duzentos quilos de alimentos serão distribuídos aos funcionários carentes da universidade.
Para os novos universitários, trote foi divertido e sem violência. ‘‘Fiquei só com a farinha e os ovos’’, disse a caloura Bruna Bassoli, de 17 anos, depois de passar pela ‘‘comemoração’’ dos amigos.
A proprietária de uma padaria localizada próximo a Concha Acústica, Clara Maria Sanchez de Oliveira, ficou assustada com a repentina venda de ovos e farinha. ‘‘Vendi mais de cinquenta ovos e uns dez pacotes de farinha. Isto sem contar catchup, vinagre, açúcar e óleo’’, disse Clara.
A alegria de passar no vestibular faz com que os calouros aceitem as brincadeiras deste tipo, sem se preocuparem com os perigos. ‘‘O trote benéfico, sem violência é bom. Faz a gente se sentir meio universitário’’, respondeu Thaís Ferreira, de 17 anos, caloura do curso de Letras.
Nem mesmo os amigos, que a empurraram em uma caçamba de areia e entulhos, fizeram com que a caloura de administração, Daniele Batista Campos, de 19 anos, perdesse o humor durante a comemoração. ‘‘Faz parte da festa. Afinal de contas, eu passeeeii!...’’, disse Daniele, debaixo de nova ‘‘chuva’’ de ovos e farinha.
Manuela Balarotti Alho da Silva, caloura de Direito, também não reclamava de estar completamente ‘‘coberta’’ de farinha e ovos. ‘‘Isso aqui é coisa dos meus pais’’, explicava Manuela, sem esconder o sorriso no rosto. (M.D.B.)