Na casa do amiguinho
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terça-feira, 06 de novembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Quando se trata das experiências dos filhos, todos os pais ilustram muito bem o ditado popular ''ninguém esquece a primeira vez''. O primeiro banho, a primeira palavra, o primeiro passo e a primeira vez que eles vão dormir na casa do amiguinho.
''Fiquei mais tranquila porque eu conhecia a família, mas confesso que estava um pouco apreensiva também'', conta Séfora Hermeto Galvão, ao relembrar a primeira experiência da filha Raquel, aos 5 anos, na casa da amiguinha. ''Foi uma vontade dela e achei uma boa oportunidade, pois acho que essa vivência é importante para o desenvolvimento e independência de qualquer criança. E no final me surpreendi, pois foi tudo muito tranquilo'', diz.
Segundo a psicológa e pedagoga Patrícia Brinholli Lebois, de Londrina, muitos pais, cercados de insegurança ou até mesmo um ''excesso'' de proteção, ainda temem essa experiência por considerar uma situação precoce ou por receio do comportamento da criança ao dormir fora de casa.
''Não existe uma idade certa. O tempo é quando a criança começa a pedir e isso pode ser aos 5 ou 9 anos. Aquelas que estão acostumadas a dormir na casa da avó ou da tia geralmente ficam mais tranquilas nessa passagem para a casa do amiguinho, mas aquelas que nunca dormiram fora, com certeza vão ter um pouco mais de dificuldade nas primeiras vezes'', afirma.
Dificuldade esta, ressalta a psicóloga, que é totalmente normal. Afinal de contas, até os adultos têm uma sensação estranha quando vão dormir na casa de alguém pela primeira vez. Mas diante dessa realidade, o ideal é fortalecer a vontade da criança e nunca recriminar quando ela resolve desistir da ideia na última hora.
''É muito bom a criança querer dormir fora de casa porque essa é uma forma dela demostrar que está querendo crescer e ter independência. Os pais devem incentivar isso, tomando alguns cuidados como conhecer quem é e quais são os hábitos da família que vai recebê-la'', aponta Patrícia.
Distância
Outro fator que pode ser levado em consideração é a distância entre as residências, pois, de acordo com a psicóloga, é normal a criança querer voltar na hora do sono ou até mesmo de madrugada. ''Se ela pedir mais de uma vez, vale a pena ligar e conversar com os pais. Na verdade, é tudo um ensaio até a hora em que o filho se sente preparado para ficar. Porém, vale ressaltar que a família que está recebendo a criança deve ter sensibilidade para observar esse desejo antes dela chorar de madrugada'', diz.
E não adianta forçar a situação, pois isso pode tornar traumática essa experiência. A criança tem que se sentir segura, assim como os pais. ''Até porque não adianta deixar o filho ir e ficar morrendo de medo, ligando a toda hora. Se os pais acharem que é muito cedo, vale pedir mais um tempo pra criança e talvez, começar recebendo um amigo(a) em casa'', observa.
Regras básicas
Quando a criança for dormir fora de casa, a psicóloga Patrícia diz que algumas regras podem ser repassadas em uma conversa. ''Muitos pais ficam preocupados com o comportamento do filho. Vale reforçar as questões de bons hábitos'', exemplifica.
Para os pais, vale a dica de não ficar ligando toda hora e sim combinar um horário com a criança, como por exemplo, antes dela dormir. Para dar mais segurança, é legal também mandar um bichinho, um travesseiro ou um cobertor. ''Algo que a criança esteja acostumada e que lhe dê segurança.''
Outro ponto interessante é fazer uma troca. Um dia a criança dorme fora e na próxima vez ela recebe. Dessa forma, os pais podem conhecer melhor o amiguinho e a própria família.
Menino x menina
Pela experiência em consultório, a psicóloga afirma que muitos pais ficam assustados quando a filha pede para dormir na casa do amiguinho ou vice-versa e ressalta que o cuidado realmente deve ser um pouco maior. ''Com 7, 8 anos, a criança começa a ter o interesse de sexualidade. É o famoso 'troca-troca', mostra o seu que eu mostro o meu. Então, vai muito de como isso é encarado pelos pais, mas não deixa de ser necessária a presença de um adulto para cuidar'', salienta.
Nessas situações também cabem algumas regras, como não tomar banho junto e dormir separado. ''Se acontecer alguma coisa, que é normal porque eles estão em uma época de exploração, vale reforçar que isso não é legal e que eles estão ali para brincar de outra coisa. O que é falado não vira um monstro'', completa.
O que vem se tornando também cada vez mais comum é o ''Dia do Soninho'' nas escolas. As crianças passam uma noite na companhia dos colegas de classe e professoras. Para Patrícia, vale a pena a criança participar dessa atividade.
''Muitas vezes são os pais que ficam inseguros, porque na verdade as crianças amam. E volto a reforçar que tudo é válido desde que não seja algo traumático. Esse desvincular de pai e mãe é importante para a criança e hoje, isso tem acontecido muito mais cedo, com iniciativa delas próprias'', ressalta.


