Campo Mourão - Como todo bom brasileiro, o mourãoense Adalberto também gosta de deixar tudo para a última hora. No concurso público da prefeitura de Campo Mourão, realizado no domingo, ele só fez a inscrição no último dia. Foi nos últimos minutos. ''Peguei a última senha'', conta Adalberto com orgulho. A senha, é bom lembrar, só foi distribuída às 18 horas para permitir o atendimento de quem ainda estava na fila quando o Sine fechou.
Adalberto sempre foi assim. Imagine se no último dia do cadastramento dos isentos do Imposto de Renda ele não estava lá, dobrando a esquina na fila quilométrica que se formou em frente aos Correios, no centro de Campo Mourão. Foi assim na escola (a matrícula era sempre no último dia) e em todos os vestibulares que ele nunca passou. Foi assim também na hora de registrar todos os quatro filhos: Adalberto só aparecia no cartório no último dia.
Às vezes parece que ele faz de propósito. Outro dia, por exemplo, viu uma fila nos Correios e foi ver o que era. Era a fila para quem tem correção do Fundo de Garantia para receber. Mesmo de folga naquele dia, Adalberto não encarou o movimento. ''Outra hora faço isso'', explicou. Na prefeitura, para renegociar o IPTU atrasado, ele só apareceu no dia 21, quando terminou o prazo do programa de refinanciamento dos débitos.
E não adianta vir com lição de moral para cima do Adalberto, não. Ele jura que nunca deixou de fazer alguma coisa por ter deixado para a última hora. É claro que os clássicos prazos prorrogados e a ''moderna'' distribuição de senhas já o tiraram do sufoco várias vezes. Nessa época de Natal, Adalberto não fez diferente. Compras? Só no dia 24.
Aliás, Adalberto não se sensibiliza com a abertura noturna do comércio desde o início do mês. ''Pra que abrirem tão antecipadamente?'', questiona. Nem quando soube que as lojas permaneceram abertas no dia 23 de dezembro ele se empolgou. Pelo contrário: Adalberto reclamou. Ele entende é que na segunda-feira, dia 24, é que o comércio deveria abrir à noite. E abrir ''até lá pelas onze meia'' (23h30).
Ele só não propõe um fechamento ainda mais tarde porque não há ônibus depois desse horário. Não adianta discutir. Adalberto é assim mesmo. Se as lojas funcionassem na manhã de Natal, não tenham dúvidas, ele estaria lá.

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