O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina, Evanildo Pinto Rodrigues, negou a extorsão. Segundo ele, a usina não repassava desde 1997 a contribuição sindical que descontava da folha de pagamento dos funcionários e também não pagava os valores estipulados pela convenção coletiva. Rodrigues explicou que o total devido pela empresa, calculado pela tesouraria do sindicato, chega a R$ 212 mil.
‘‘Quando o Glauco (diretor da usina) me chamou para negociar, disse que pagaria metade ao sindicato e pediu que o restante do dinheiro fosse doado à APAE de Porecatu’’, afirmou o sindicalista. Rodrigues explicou que não assinou nenhum recibo porque iria buscar um representante do sindicato de Porecatu para receber a parte que lhe caberia no repasse das contribuições e mensalidades. ‘‘Ele (Glauco) insistiu para eu levar o dinheiro.’’
Rodrigues justificou o teor da conversa telefônica que foi gravada pelo diretor da empresa. ‘‘Ele (Glauco) sabe que eu estudo e começou a falar da minha monografia. Eu achei estranho mas não desconfiei de nada’’, afirmou. O sindicalista acusou a usina de ‘‘armação’’. ‘‘A usina não engoliu a greve de janeiro. O movimento dos trabalhadores se fortaleceu e não será a nossa prisão que vai enfraquecer’’, garantiu. Conforme Rodrigues, os cerca de 8 mil funcionários da usina podem entrar em greve ainda na safra (que começou ontem) se não forem pagos os 14% de aumento para os trabalhadores rodoviários e os 20% para os rurais. Esse índices, informou Rodrigues, ficaram estipulados durante a greve, mas até agora não foram repassados aos trabalhadores.

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