NA CAÇAPA - Arrasando o preconceito a tacadas
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sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Os homens que se cuidem pois as mulheres estão dominando todos os seus redutos, bem de mansinho. É bem verdade que não é nenhuma novidade ver mulher jogando sinuca. Os livros de história já retratavam as partidas da rainha Mary Stuart, da Inglaterra, nos idos de 1580, bem como as disputas da dama de ferro inglesa Margareth Tatcher contra o príncipe Charles, há poucos anos atrás. Mas se antes elas jogavam por pura diversão, hoje dedicam-se ao esporte e até competem entre os homens. E ganham.
A supervisora de marketing Fabiane Alves Campos, 31 anos, é uma dessas apaixonadas pelo jogo. Tão apaixonada que troca qualquer programa por algumas horas de treino no clube. ''Pratico todas as noites, menos de segunda porque o clube é fechado'', brinca.
No último Dia das Mães, ela ganhou um taco de sinuca de presente dos filhos. Um presente incomum numa data tão especial? ''Que nada, estava mesmo querendo comprar um taco novo, só meu, para poder competir melhor'', retruca Fabiane.
Ela conta que se interessou pela sinuca ainda quando pequena, pois sempre via o pai e o irmão jogarem na lanchonete da família e ''queria saber jogar tão bem quanto eles''. O pai e o marido são seus mentores e o amor pelo jogo e a vontade de superar preconceitos a fez campeã aos olhos dos familiares e amigos.
O amigo Nery Souza é um desses exemplos de admiração. Ele foi eliminado por Fabiane no último torneio de sinuca do Clube Canadá, mas ao invés de reclamar, sentiu-se privilegiado. ''A sinuca é um esporte bastante preconceituoso, mas se um homem disser que não quer jogar com a Fabiane, estará subestimando a capacidade dela. Se decidir jogar, com certeza vai perder, porque ela joga muito''.
Fabiane recorda o primeiro jogo do torneio - ela era a única mulher entre 23 homens -, o qual ela terminou na terceira colocação geral. Seu adversário suava e tremia sem parar. ''Ele disse que me deixaria ganhar a primeira ficha só porque eu era mulher, mas eu acabei vencendo a segunda também e nem precisei da terceira ficha para acabar o jogo.''
Outra história engraçada, mas que demonstra o ainda persistente preconceito masculino, foi quando Fabiane eliminou um colega de clube em outra fase do torneio. ''Ele não quis me cumprimentar e ficou dias sem falar comigo.'' Mas o orgulho da jogadora for ter vencido o tricampeão de sinuca do Clube Canadá este ano. ''Venci em apenas 55 minutos de partida'', comemora.
No clube, Fabiane e o marido, Leandro Henrique Campos, são conhecidos como o casal da sinuca, pois ele também participa dos torneios. Segundo ela, ele ainda joga melhor. Já para ele, é bom poder dizer que ganhou da esposa. ''Mas já vi homem perder cerveja brincando para ela'', disse Leandro, sem demonstrar um pingo de ciúme, pelo contrário,''ela é só orgulho''.


