NA CABEÇA - Capacete: mocinho ou bandido?
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sábado, 06 de maio de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Companheiro essencial para quem circula por ruas e estradas sobre duas rodas, o capacete protege uma das partes mais nobres do corpo humano a cabeça. Mas será que o motociclista o encara como o seu melhor amigo no trânsito? A julgar pelo que se ouve dos ''usuários'', nem tanto. De uso obrigatório pelas leis brasileiras, este equipamento de segurança ainda é visto, muitas vezes, como um estorvo. O que fazer com ele, por exemplo, quando se estaciona a moto?
Se a frota de motocicletas em Londrina, segundo dados do Departamento de Trânsito (Detran) ultrapassa os 40 mil, o número de capacetes, portanto, supera em alguns milhares esse número. Um mercado importante, a julgar pela série de opções de marcas e modelos encontrados nas lojas especializadas. O vendedor Alessandro Geraldo Souza desova todo mês no mercado pelo menos 80 novas unidades, com preços que variam de R$ 50,00 (nacionais) a R$ 1,6 mil (importados).
Além do preço, os motociclistas que circulam na cidade vão atrás do conforto e preferem os ditos ''abertos'', sem proteção para o queixo. ''São mais leves e mais arejados'', explica Souza, lembrando que é exigido o uso de óculos de proteção quando o equipamento não conta com viseira. Já quem pega estrada opta mais pelo modelo fechado, mais seguro.
Todos precisam ter o selo do Inmetro, que garante que o produto foi testado e segue as normas exigidas. Mas nem sempre quem compra tem essa preocupação, conta o proprietário de loja de motos, equipamentos e acessórios, Hamilton Bischof. Há uma década no ramo, ele acredita que boa parte dos clientes desconhece que o capacete precisa ser certificado, que tem prazo de validade de três anos e que deve ser trocado em caso de quedas que danifiquem sua estrutura. Bischof exemplifica que o modelo conhecido como ''coquinho'' (que protege apenas a parte superior da cabeça), por exemplo, é proibido porque sua proteção é bem menor em comparação com os modelos tradicionais. ''O coquinho não tem o isopor, que absorve o impacto numa queda'', esclarece. Ele recomenda ainda que o usuário afixe o adesivo informando o tipo sanguíneo em local visível no equipamento.
A vendedora Rita Moralles, 45 anos, transita há 15 anos de moto e tem pelo menos duas razões para acreditar na eficiência de seu companheiro de trabalho. ''O capacete salvou minha vida duas vezes'', agradece. Por isso, Rita não vê incoveniente algum no equipamento, nem mesmo o jeitão de surrado de seu modelo atual, que já enfrenta a rotina nas ruas há mais de um ano. ''Não ligo para aparências'', brinca. Ela só reclama que Londrina deveria adotar corredores exclusivos para motociclistas, ''o que resolveria o problema tanto dos motoristas quanto dos motoqueiros''.
O técnico em manutenção Mário José Barbosa, 41 anos, faz elogios mas não deixa de criticar, porque há 20 dias se envolveu em um acidente e sofreu ferimentos no rosto por estar usando um modelo aberto. Ele também reclama da inconveniência do equipamento quando estaciona a motocicleta. ''Eu trabalho com manutenção e toda vez tenho que levar a caixa de ferramenta e o capacete'', afirma. E olha que Barbosa já trafega sobre duas rodas há 23 anos.
Quem também se chateia é o motoboy Rogério Lucas Moisés, 27 anos. Mais ainda depois que muitos lojistas proibiram a entrada com capacete por causa dos assaltos praticados com motos. Mesmo assim, ele não circula sem o 'escudeiro' porque o ''perigo no trânsito é muito grande''.
Outros que conhecem bem o assunto são os mototaxistas. Exposto ao risco das ruas diariamente, Reginaldo Sargin, 34 anos, investiu um pouco mais na compra de um capacete de qualidade para fugir das marcas mais baratas, ''que têm risco maior de rachar num impacto mais forte''. Outra dificuldade comum é convencer muitos clientes da importância do uso: ''Uns reclamam que não querem, outros falam que é grande ou pequeno demais. As mulheres mais jovens dizem que não vão usar por causa da cor, que é laranja''.
A higiene dos capacetes de uso coletivo é outro problema. ''Tem reclamação também, mas os mototaxistas já tiveram que fornecer uma redinha para o passageiro. Na época, era inviável porque cada uma ficava em R$ 0,50 e muitos nem queriam usar'', argumenta Sargin. Outra revelação que ele faz é que muitos mototaxistas não trocam o equipamento há mais de cinco anos. Deixar ao sol para diminuir o odor do suor e acabar com fungos e bactérias, então, é mais raro ainda.


