Na briga das rodoviárias, esqueceram os usuários
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quinta-feira, 02 de agosto de 2001
Sid Sauer 
Imagine a situação: de um lado, a prefeitura anunciando em emissoras de rádio que a partir da zero hora de quarta-feira o embarque e desembarque de passageiros deveria ser feito na nova rodoviária, no trevo da Estrada Boiadeira (BR-487). Do outro, diretores de empresas de ônibus afirmando, em entrevistas, que continuariam atendendo na rodoviária antiga, no centro da cidade.
Continue imaginando: de um lado, a prefeitura informando que a antiga rodoviária seria fechada às 23h59 de terça-feira para que os ônibus se dirigissem ao terminal novo. Do outro lado, empresas de ônibus dizendo que, neste caso, fariam o embarque e desembarque em ruas próximas à velha rodoviária. Nem precisa imaginar mais nada. Tudo isso aconteceu de verdade em Campo Mourão.
A causa de toda essa confusão foi a terceirização da nova rodoviária, uma obra que está pronta desde junho do ano passado e que ficou 13 meses sem utilização pelo mesmo problema: a privatização de sua administração. A prefeitura admite desgaste com os episódios, mas diz que tudo foi feito visando o bem da administração e do uso do dinheiro público.
Os episódios desta semana demonstraram certo pouco caso com os personagens principais desta história: os usuários do transporte coletivo intermunicipal. Eles ficaram perdidos, sem saber a qual rodoviária ir. Sem saber se o ônibus que pegariam conseguiria sair da rodoviária, uma vez que havia a ameaça de autuação nas empresas que fossem ao terminal antigo.
A empresa que ganhou a concessão para a exploração do terminal dizia que tem custos para manter a rodoviária e, por isso, precisa cobrar valores justos pelo aluguel dos guichês de passagens, o alvo principal do impasse. As empresas de ônibus, por sua vez, alegavam que os preços pedidos são abusivos e que permaneceriam no terminal velho. A prefeitura afirmava que as empresas é que deveriam entrar em acordo.
Esqueceram dos usuários. Quem defende os interesses deles? Infelizmente foi preciso que o caos se formasse para que o poder público impusesse sua condição de concedente desse serviço. Ontem, após intermediar reuniões entre as empresas de ônibus e a administradora, a prefeitura anunciou que houve um acordo em relação à taxa. O acordo prevê o funcionamento, de fato, do novo terminal, no próximo dia 20 .
Que tudo isso sirva de lição. Quando o interesse coletivo está em jogo, a decisão final cabe ao poder público. A população não tem nada a ver com a falta de acordo entre duas empresas privadas. Ela quer ser atendida, até porque os R$ 2,1 milhões investidos na nova rodoviária saíram do bolso do contribuinte.


