Na batida do taikô
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segunda-feira, 17 de junho de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Na periferia da zona sul de Londrina, pouco se conhece da cultura japonesa. Essa foi a primeira impressão que o professor Fernando Kumiyoshi teve ao chegar ao Jardim União da Vitória. Descendente de japoneses, Kumiyoshi lembra que não faltaram "brincadeiras" em relação ao seu jeito de falar e de se comportar.
Diante dessa recepção, Kumiyoshi sabia que não seria uma tarefa fácil ensinar "taikô" para crianças e adolescentes, pois a arte japonesa de "tocar tambores" era uma novidade entre a comunidade. "Tive muita dificuldade no início das aulas, principalmente no quesito disciplina, quebra de preconceitos e musicalização", conta o professor, que também fabrica os instrumentos para comercialização.
Hoje, dois anos após o primeiro contato com a comunidade, Kumiyoshi já tem o reconhecimento pelo trabalho. Ele ensina todas as quartas-feiras à tarde cerca de 15 meninos e meninas interessados no taikô. O grupo inclusive já realizou apresentações, além de Londrina, em Ponta Grossa e Ibiporã.
"Eu cheguei no União com a vontade de democratizar o taikô e mostrar para essas crianças que realizar um sonho é possível", diz o professor, que contou com a parceira do Instituto Eurobase, uma organização sem fins lucrativos, ligada essencialmente à área social, para concretizar seu desejo.
O Instituto cedeu o espaço para realização das aulas e a Guarda Mirim de Londrina, que promovia aulas de taikô, doou os instrumentos. "A escolha do União da Vitória se deve a dois alunos que moram na comunidade e frequentavam a Guarda Mirim. Eles queriam muito dar continuidade às aulas", comenta.
Além da integração, o taikô tem desenvolvido entre os alunos o trabalho em equipe, a disciplina, a resistência física, coordenação motora e musicalização. O professor também observa que a modalidade é uma forma deles terem um pouco de contato com a cultura japonesa. "Eles aprendem a coreografia e a técnica, mas também algumas palavras em japonês, principalmente de cumprimento, pois trata-se de uma questão de respeito", diz.
Na semana passada, o grupo se apresentou na Expo Japão, na Acel, diante de uma plateia surpresa com o talento dos pequenos aprendizes. "Fiquei emocionada em ver essas crianças participando de um projeto tão bonito. Elas tocaram muito bem", afirmou a vendedora Cleonice Aparecida dos Santos, enquanto enxugava as lágrimas.
"Achei fantástico porque a gente percebe o quanto elas estão tocando com gosto, vontade. Essa é a prova de que o projeto dá resultados. Além delas aprenderem algo, é uma oportunidade de ficarem fora das ruas, das drogas e, o mais importante, aprenderem limites", declarou Madalena Franzin Marcolino.
Os pais da aluna Camila Ribeiro Dias Bughi, de 9 anos, estampavam no sorriso o orgulho da filha. "Um dia ela foi comigo ao Instituto Eurobase, viu o grupo ensaiando e quis aprender também", comenta a mãe Maria Cristina. Até esse encontro, nem a mãe e a filha conheciam o taikô. "Achei interessante e quero aprender mais", comentou Camila, ao ressaltar que inclusive está aprendendo algumas palavras em japonês.
a mesma sensação tomou conta de Douglas Fernandes da Silva Lima, de 12 anos, que fazia curso de pintura no Instituto. "Não conhecia nada de japonês, mas agora eu sei até tocar tambor", brinca o garoto, que merece destaque pelo esforço revelado no palco. "Se você for tocar para um público grande, tem que tocar com força, até porque sem força não tem graça, não é?", completa, entusiasmado.
Serviço:
As aulas de taikô são gratuitas e acontecem às quartas-feiras, das 14h às 15h30, no Instituto Eurobase (Rua dos Assistentes Sociais, 121, União da Vitória 4). Mais informações pelo fone: (43) 3341-1042.


