Fantasias, máscaras, folia e samba no pé. A magia do Carnaval encanta as pessoas comuns, mas, para quem é apaixonado por folia, a grande festa dura muito mais do que quatro dias, permanece pela vida afora. Os apaixonados pelo samba no pé não só se vislumbram com tudo o que envolve o Carnaval, mas dão continuidade à alegria que a festa proporciona em todos os cantos do País.
De origem européia, o Carnaval surgiu na época medieval como uma festa pagã, onde as pessoas festejavam fantasiadas e usando máscaras grotescas. Segundo a professora de Cultura Brasileira, do Departamento de Ciências Sociais da UEL, Raimunda de Brito Batista, a Igreja Católica de certa forma, sempre fechou os olhos para essa época do ano.
''Fecha-se os olhos para as coisas que acontecem nesses dias, mesmo porque depois vem a Quaresma e as pessoas pedem perdão pelos pecados que cometeram durante o Carnaval'', comenta a professora.
Diferente de como é comemorado aqui no Brasil, em muitos lugares do mundo, como em Nice, na França, a data ainda é festejada principalmente com o uso de máscaras. O Carnaval do Rio de Janeiro possui essa característica, o que segundo a professora, significa uma inversão de valores. ''Pobres se vestem de ricos, ricos se vestem de pobres. O Carnaval tem esse significado, é uma festa de confraternização e de alegria'', diz.
A paixão pelo Carnaval afeta os brasileiros como um todo, até porque porque muitas atividades no País só começam efetivamente depois das festas carnavalescas. Raimunda explica que a denominação ''país do Carnaval'' foi dada pelos próprios brasileiros devido, principalmente, a essa paixão que existe por parte de muitas pessoas.
''Algumas cidades, como Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, não param. Todos trabalham normalmente, mesmo no Carnaval. Isso se deve, principalmente, pela quantidade de descendentes alemães na região'', conta.
Já dizia o filósofo russo, Mikhail Barkhitin, que o Carnaval é ''a festa da transgressão'', momento em que as pessoas fazem tudo o que sentem vontade de fazer. Raimunda confirma a teoria do ensaísta. ''As pessoas se sentem mais à vontade para fazer o que quiserem, mesmo que seja alguma coisa errada. A máscara, as fantasias e outros adereços ajudam a fazer com que as pessoas possam se divertir sem serem identificadas'', salienta.
Na opinião da professora, a festa tem perdido sua característica democrática, em que o Carnaval de rua representava uma mistura de todas as classes em busca de alegria e diversão.
''O samba, que é de origem negra, vem para celebrar a alegria dessa cultura, que é muito boa nessa coisa do riso. Basta que o Carnaval brasileiro não seja apenas um Carnaval de massa, como no Rio, mas também um Carnaval democrático, de rua, como víamos há anos atrás. Assim como ainda é hoje em Antonina, aqui no Paraná, e principalmente no Norte e Nordeste brasileiro'', finaliza.

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