''Na Alemanha, existe maior segurança social''
Para os cinco jovens recém-chegados, o Brasil é um País muito grande, cheio de contrastes entre as classes sociais, com uma cultura alegre e aberta, e com um povo apaixonado pelo futebol. Os jovens brasileiros, conforme já puderam observar, são alegres, liberais, cordiais, interessados em aprender outras línguas. Observaram, no entanto, ''um excesso de preocupação com a aparência exterior''.
Por outro lado, em relação aos valores que hoje norteiam a vida dos jovens alemães, Andréas mostrou-se pessimista: ''Tenho uma visão extrema. Acho que os jovens perderam os valores essenciais, são preguiçosos e não querem trabalhar''. Já Stefan, apoiado pelo grupo, acredita que existe uma perda de valores, mas muitos ainda lutam com determinação em busca de uma perspectiva de vida. ''É difícil analisar isso genericamente.''
O grupo é unânime quando analisa as diferenças marcantes entre o Brasil e a Alemanha: ''Na Alemanha, existe uma maior segurança social. Há um maior equilíbrio entre as classes sociais. A classe média é mais expressiva e conta com mais estabilidade. Lá não temos tanta violência. O que ouvimos aqui dos jovens são acontecimentos raros na Alemanha.'' Eles afirmam, porém, apesar de todas as dificuldades que encontram, achar o brasileiro mais satisfeito.
Em termos de diversão e entretenimento, elegeram o computador, e seu múltiplo universo de uso, como uma ferramenta inseparável dos jovens da Alemanha. A prática de esportes também é muito valorizada, em contraponto ao costume do brasileiro de estar mais na rua, entre amigos. ''Lá, à noite, cada um tranca a sua porta e acabou. A sociedade é mais fechada'', observam. Para eles, ver jovens, como aqui, livres, soltando pipas, aparentemente despreocupados, é algo muito saudável.
Na opinião deles, o consumo de drogas não é muito comum, mas é visivelmente crescente. Sobretudo a maconha que, de tão aceita, nem parece mais ser uma droga. O álcool e o cigarro começam a atrair crianças a partir dos 12 anos.
Sobre o relacionamento familiar, lamentam que a família esteja se transformando em verdadeira colcha de retalhos, com a convivência de casais debaixo do mesmo teto, mas com filhos de outros casamentos. ''Não se fala mais em casamento duradouro, mas em um parceiro(a) para um trecho da vida. Quem sofre, e muito, são os filhos que crescem com muitos traumas'', exemplificam.(E.A.)





