Osmani Costa
De Londrina
A fila de mutuários inadimplentes interessados em negociar a melhor forma de pagamento das prestações atrasadas foi grande, durante todo o dia de ontem, na Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina. Eles estavam preocupados com a possibilidade da perda dos imóveis que habitam em consequência do atraso, ameaça divulgada anteontem pela direção da companhia.
De acordo com a Cohab, a partir desta semana, todos os cerca de 6 mil inadimplentes - com mais de três prestações atrasadas - estão sujeitos a ações judiciais para a retomada do imóvel. O primeiro grupo de ações de execução, com o nome de 50 mutuários, será encaminhado à Justiça Federal pela assessoria jurídica da companhia nos próximos dias.
O perigo da perda da casa por inadimplência resultou num aumento imediato na arrecadação no caixa da sede da Cohab, no centro da cidade. Diariamente, pagam mensalidades cerca de 70 pessoas. Ontem, este número subiu para mais de 200. ‘‘Além de triplicar o número de recebimentos, notamos que a maioria dos mutuários veio quitar entre 6 e 10 prestações atrasadas’’, comentou o presidente da Cohab, Assad Jannani.
Na opinião dele, o resultado foi excelente para o primeiro dia após o anúncio das medidas legais para a retomada de imóveis dos inadimplentes. ‘‘Cerca de 60 grandes devedores, com dívidas que variam entre R$ 7 mil e R$ 10 mil, procuraram hoje (ontem) a companhia para propor condições de parcelamento do pagamento. Isto só é possível antes do ajuizamento da ação. Depois, só com o pagamento integral.’’
Os mais de 6 mil inadimplentes - dos 26 mil mutuários que possuem imóveis financiados pela Cohab - têm uma dívida que ultrapassa R$ 20 milhões. ‘‘Fiquei com muito medo, ao saber da notícia. Levei muito tempo esperando na fila e já moro na minha casa há 17 anos. Não posso ficar sem ela, porque não teria para onde ir com a mulher e os três filhos’’, comentou o vendedor autônomo Orlando Ávila, que reside no Conjunto Habitacional Vivi Xavier (zona norte) e não paga a prestação de R$ 78,00 há quase três anos.
A dona de casa Geni Bigueti, que mora com a família no Conjunto Ilda Mandarino (zona norte) também foi ontem à Cohab explicar que não pagou as prestações de R$ 47,00, nos últimos cinco meses, por problemas financeiros da família. ‘‘Pagamos sempre em dia durante nove anos, mas agora a situação está muito difícil. Estou peocupada e vim aqui tentar abrir negociação e parcelamento. Queremos pagar, mas meu marido está tendo dificuldades para conseguir fazer fretes. Não podemos ficar sem a casa e ir morar numa favela.’’Anúncio de retomada de imóveis, feita pela Companhia de Habitação, provocou fila de devedores interessados em negociação
Dorico da SilvaACERTO DE CONTASOntem, a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina registrou o triplo de recebimento das prestações de imóveis: houve fila para pagamento de até 10 parcelas em atraso e para negociação do débitoDorico da SilvaDorico da SilvaOrlando Ávila (ao lado) e Geni Bigueti foram à Cohab tentam parcela dívida: medo de perder o imóvel

mockup