Foram dois anos de incertezas. Agora, luz no fim do túnel. Os mutuários da construtora Encol podem firmar ainda este ano um acordo com bancos públicos e privados para financiar o término da construção dos apartamentos nos estados do Paraná e Santa Catarina. O advogado Murilo Celso Ferri, vice-presidente da Associação Paranaense e Catarinense dos Clientes da Encol, estima que a liberação dos recursos possa sair no primeiro semestre de 99.
Em abril de 97, a Encol, uma das maiores construtoras do País, estava com dívidas de R$ 500 milhões. Cerca de 42 mil mutuários, que optaram por financiar seus apartamentos quando eles estavam no papel, foram lesados pela empreiteira. Má administração e caixa dois foram algumas das principais acusações lançadas contra o controlador da Encol, Pedro Paulo de Souza, quando o escândalo financeiro veio a público.
No Paraná e Santa Catarina, cerca de 4 mil mutuários e proprietários de imóveis prometidos pela Encol ficaram no prejuízo. A esperança dos representantes da associação é de que a Caixa Econômica Federal (CEF) libere os financiamentos. O advogado Murilo Celso Ferri acredita que os valores para terminar os condomínios podem chegar a algo entre R$ 30 milhões e R$ 50 milhões.
Com o sinal positivo da CEF, Ferri tem esperanças de que os bancos privados também apostem na continuidade das obras. ‘‘Os bancos têm muito dinheiro para o setor imobiliário’’, justifica. No caso da associação que representa mutuários paranaenses e catarinenses, o advogado afirma que a situação está menos crítica em comparação com outros estados.
Os clientes conseguiram que a Encol repassasse os apartamentos para seus nomes. Com isso, a negociação para obter o novo financiamento está sendo feita diretamente com bancos e seguradoras, de quem a Encol também emprestou dinheiro para as obras, além das parcelas pagas pelos mutuários. Com a construtora afundada em dívidas, os empréstimos começaram a ser cobrados pelas instituições financeiras, que passaram a ser os credores hipotecários dos apartamentos. Esse fato era omitido nos contratos que a empreiteira firmava com os clientes.
Em Curitiba, a Encol deixou o maior número de empreendimentos inacabados no Paraná: 38 condomínios residenciais. De acordo com Murilo Ferri, a falência da construtora deverá ser decretada pela Justiça ainda em fevereiro. ‘‘A construtora não está conseguindo pagar a primeira parcela aos credores da concordata’’, segundo apurou Ferri. (D.V.)

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