Maurício Borges
Enviado a Telêmaco Borba
Há 15 dias, moradores do Conjunto Residencial São Francisco de Assis, em Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa), estão se revezando em vigília permanente para evitar o cumprimento de ordem de despejo, obtida na Justiça pela Caixa Econômica Federal. O clima de tensão tomou conta do bairro desde o dia 19 de janeiro, quando os mutuários foram surpreendidos por policiais militares e três oficiais de justiça que pretendiam cumprir ordens de despejo e mandados de reintegração de posse.
O principal alvo do banco, segundo denúncia dos moradores, seria o despejo do vereador Nilton Teixeira (PPB), presidente da Associação de Moradores do bairro e líder do movimento contra o valor das prestações das 500 casas do Conjunto São Francisco de Assis. ‘‘O objetivo deles era conseguir me despejar para tentar acabar com a mobilização dos mutuários’’, afirmou o vereador. ‘‘Os moradores vão resistir a isso, até que a Caixa estipule um valor justo para as prestações’’.
De acordo com informações obtidas junto à Caixa, o banco decidiu exigir a devolução dos imóveis em que os mutuários estão inadimplentes e não manifestaram interesse nas propostas de acordo. O conjunto, segundo a CEF, tem 500 unidades de 25,50 metros quadrados e foi construído em 1991 com recursos que equivalem hoje a R$ 3,6 milhões, provenientes do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
O gerente da Caixa, Alceu Miranda de Mello, diz que, desde a entrega das casas em 92, tem sido alto o índice de inadimplência por parte dos moradores. ‘‘Sempre estivemos abertos à negociação e fizemos tudo que estava ao nosso alcance para normalizar a situação, mas não houve acordo’’, afirma Mello. Segundo ele, a reintegração de posse atinge diversos moradores do conjunto e não apenas o vereador Nilton Teixeira.
Para Teixeira, é inadmissível uma prestação de R$ 120 ou até de R$ 140 por uma casa de 25 metros quadrados. ‘‘Isso é demais para trabalhadores assalariados que moram aqui e não dá mesmo para pagar’’, argumenta. Segundo Teixeira, os mutuários vão ingressar com um mandado de segurança para barrar o despejo. Os mutuários Claudinei Franco e Sandro Mello, vizinhos de Nilton Teixeira, também estão inadimplentes e revezam-se na vigília de várias casas para evitar que sejam cumpridas as ordens de desocupação.