Mutuários da Encol conseguem escritura dos apartamentos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de julho de 1998
Cláudio Osti 
Depois de três anos e meio de muitas reuniões, propostas e contrapropostas, um grupo de moradores do Edifício Solar de Van Gogh - rua Anita Garibaldi, região central de Londrina - construído pela Encol, conseguiu as escrituras definitivas dos seus apartamentos. É o primeiro caso em que há solução no Paraná. Estamos conquistando o nosso sossego, disse o agropecuarista Roberto Imagawa, com a escritura na mão.
O drama das famílias começou em junho de 1995 quando a Encol deveria entregar as escrituras dos apartamentos que já haviam sido pagos. A construtora, na época considerada a maior do Brasil e da América do Sul, está concordatária e, além dos moradores não receberem a escritura de seus imóveis, ainda descobriram que, dos 38 apartamentos do prédio, 20 estavam hipotecados junto ao Banco Itaú.
Mario CesarImagawa:
Estamos
conquistando
nosso sossegoO valor da dívida - os moradores preferem não divulgar a quantia - era tão alto que eles teriam que pagar para o banco, praticamente, mais um apartamento cada um. O maior problema, lembra a jornalista Angela Raizer Barbosa, uma das proprietárias, é que havia uma cláusula no contrato com a Encol que permitia que a construtora hipotecasse o imóvel para financiar o término da obra.
Nós deveríamos ter registrado o contrato de compra do imóvel em cartório, mas não o fizemos. Isso teria impedido que o imóvel fosse hipotecado. Hoje estamos pagando por esse erro, comenta a jornalista. Mas quem iria imaginar que a maior construtora do País iria fazer isso, iria quebrar, emenda Imagawa. Nós entramos na Justiça contra a construtora e ela simplesmente disse que não tinha como pagar.
O nó só começou a ser desatado quando os moradores contrataram o consultor imobiliário Donato Spina Filho, ex-funcionário do próprio Banco Itaú. Quando eu cheguei percebi que todos estavam muito desgastados com esse impasse. As pessoas estavam descrentes. Elas tinham o imóvel de fato, mas não de direito. Ao conversar com a diretoria do banco, percebi que havia uma pré-disposição para solucionar o problema e aí o passo seguinte foi negociar com as duas partes para que o acordo fosse benéfico para todos. No final, o banco acabou aceitando receber 25% do valor pedido originalmente. Todos saíram satisfeitos e puderam registrar os imóveis e ter a escritura definitiva, explica o consultor.


