Lucinéia Parra
De Maringá
Cerca de 100 mutuários da Caixa Econômica Federal bloquearam ontem de manhã o Contorno Sul, em Maringá, em protesto contra os altos valores das prestações da casa própria. A maioria é morador do Conjunto Sol Nascente, onde a Justiça realizou no mês passado três despejos. Nesta segunda-feira, conforme os moradores, está previsto mais uma ordem de despejo de uma mutuária que está inadimplente há vários anos.
De acordo com a funcionária pública Márcia Martins Gomes, a maioria dos mutuários está inadimplente porque a Caixa não aceita nenhum tipo de acordo e quer impor valores das prestações não condizentes com a renda familiar dos moradores. ‘‘As casas no bairro são de 32, 40 e 45 metros quadrados e as prestações variam de R$ 140,00 a R$ 300,00. Quem ganha um pouco mais do salário mínimo, como é o caso da maioria dos moradores daqui, não tem condição de pagar este absurdo de prestação’’, desabafa. A prestação da casa dela é de R$ 143,00 e só recentemente recomeçou a pagar. ‘‘Fiquei três anos desempregada e o meu marido está fazendo consertos no fundo de quintal. Mesmo hoje, este valor é muito alto para nós’’.
Os mutuários querem que a Caixa faça uma reavaliação total dos valores das prestações. Eles alegam que na maioria dos casos, o saldo devedor dos imóveis é até quatro vezes maior do que o valor real do imóvel. ‘‘Não moramos em bairro nobre e a Caixa tem que fazer o cálculo com base no salário mínimo’’, diz Dorival Fidélis, um dos coordenadores do movimento.
Os mutuários prometem fazer novos protestos durante a semana. O tráfego na rodovia Contorno Sul ficou interrompido cerca de meia hora. Os manifestantes fizeram passeata convocando os mutuários dos bairros vizinhos, principalmente o São Silvestre, para participar dos próximos protestos.

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