Mutirões reduzem focos pela metade
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quarta-feira, 30 de outubro de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão O índice médio anual de focos do mosquito transmissor da dengue no município caiu para menos da metade depois que a prefeitura passou a realizar mutirões de limpeza na periferia. Em 2001, a média predial de foco do Aedes aegypti ficou em 5%. Hoje, ela é de 2,01%. Mesmo no chamado primeiro ciclo, quando o índice é maior, esse número ficou em 2,89% (em 1998, ele foi de 15,82%).
Os dados foram divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde que em novembro vai realizar um ``Dia D`` para reunir a comunidade no combate ao mosquito. ``Apesar dos bons resultados, a população precisa saber que um foco de 1% já é suficiente para causar uma epidemia de dengue``, disse a secretária Nilma Ladeia de Carvalho Dias. ``Nessa luta, a comunidade é nossa grande aliada``.
Segundo a secretária, existe um alerta do Ministério da Saúde contra uma possível epidemia de dengue hemorrágica em 2003. ``Se cada um prevenir em sua casa, certamento não teremos dengue``, ressaltou. Em Campo Mourão, o trabalho dos mutirões, iniciado no final de 2001, é considerado fundamental. Em 16 mutirões até agora, foram recolhidas 11,8 toneladas de entulhos.
Os mutirões começaram pelas regiões onde o índice do mosquito era maior. No Jardim Copacabana, onde o foco do Aedes aegypti estava presente em 9,9% das casas, o percentual foi reduzido para 2,87%. ``Em média, há uma redução de 45% nos índices com os trabalhos preventivos``, explica o veterinário Carlos Bezerra, da Vigilância Sanitária Municipal.
Os mutirões são uma verdadeira operação de guerra. Eles incluem reuniões com as associações de moradores da região, arrastão dos agentes comunitários para explicar o que deve ser recolhido e como recolher os materiais e a circulação de um carro de som para dar um último aviso. Também há o trabalho educativo com as crianças que já atingiu mais de 10 mil alunos em 50 escolas.
Os resultados são satisfatórios. Dos 87 casos notificados este ano, apenas seis confirmaram a doença. Destes, somente dois foram adquiridos na própria cidade. Para o `Dia D`, a Secretaria de Saúde espera mobilizar quase mil pessoas de mais de 80 entidades. ``Vamos fazer uma alerta à população para que ela coloque em prática o que já sabe``, explica Nilma.


