Mutirão tapa buracos na rodovia PR-218
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
Um grupo de caminhoneiros de Atalaia (53 km ao norte de Maringá) começou a trabalhar por conta própria para tapar buracos na PR-218, no trecho que liga o município a BR-376 de acesso a Nova Esperança, região Noroeste do Estado. Eles estão há dois dias na estrada e ainda pretendem concluir o trecho entre Atalaia e Ângulo, também da PR-218. Cerca de 150 toneladas de terra e cascalho devem ser utilizadas em 30 quilômetros de estrada.
Cansados de reivindicar melhorias ao governo estadual, caminhoneiros e empresários da região passam a recuperar a estrada por conta própria
Segundo as lideranças da cidade, o trabalho dos caminhoneiros é mais uma forma de protesto contra o descaso do governo com a precariedade das estradas não pedagiadas. Segundo o empresário Paulo Cesar Trassi, de Atalaia, o serviço dos caminhoneiros vai amenizar o prejuízo do escoamento da safra de verão, cuja colheita começa neste mês. Trassi emprestou um caminhão caçamba e disse que as lideranças se reuniram para viabilizar o serviço realizado pelos caminhoneiros.
Trassi afirma que nos últimos seis meses teve um prejuízo de R$ 30 mil com a manutenção de carretas. Conforme o empresário, o dinheiro foi utilizado para compra de pneus e conserto de rodas. Só no domingo dois pneus de R$ 800,00 cada estouraram por causa dos buracos na rodovia, conta Trassi. O empresário lembra que Atalaia foi um dos primeiros municípios da região de Maringá a organizar um protesto por causa do abandono das estradas. Fizemos isso na época do plantio, mas não obtivemos nenhum resultado e agora na colheita restou tapar os buracos, acrescentou Trassi.
O empresário Armando Caeiro Filho, dono de uma empresa de transporte escolar e turismo, que há 40 anos atua na região, disse que nunca vivenciou situação parecida. Isso é pior do que estrada de terra, disse Caeiro Filho. Ele contou que enfrenta uma média de dois pneus estourados por dia. Só de IPVA paguei este ano R$ 2 mil, afirmou. Para o vendedor autônomo José Benedito Cazari, é revoltante pagar imposto sem receber benefício de volta. Paguei IPVA antecipado e não sei o que o governo faz com este dinheiro, diz Cazari.
Desde o ano passado, lideranças da região Noroeste iniciaram protestos por causa das estradas. Cerca de 700 quilômetros estão sem condições de tráfego. A situação acabou influenciando na organização de movimentos reivindicatórios, como o S.O.S rodovias do extremo Noroeste. Em fevereiro deste ano, o movimento chegou a plantar bananeiras e pés de milho em uma das rodovias para chamar a atenção do governo.
Segundo a assessoria do DER, não há previsão para operações tapa-buracos na rodovia de acesso a Atalaia. A assessoria informou que o programa emergencial de tapa-buracos contempla outros trechos da PR-218 e que Atalaia pode ser incluída na próxima etapa da operação.


