Mutirão salva parte da mercadoria
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quinta-feira, 05 de dezembro de 2002
Renê Muller e Emerson Dias<BR>Reportagem Local 
Após o quebra-quebra nas lojas de ''R$ 1,99'', ocorreu uma intensa mobilização dos camelôs alojados na Avenida São Paulo. Rapidamente, a maior parte dos vendedores se juntou em um ''mutirão'' para salvar a mercadoria, temendo que a polícia voltasse ao local.
Enquanto os camelôs enchiam sacolas e caixas de CDs e saíam correndo rua afora, para guardar o produto em local seguro, o presidente da ONG Canaã, Rogério Gonsalez, tentava apaziguar o ânimos dos comerciantes. Havia até mesmo gente desesperada, como Ariadne Palhano Soares, 10 anos. A menina chorava muito: temia que a mãe, ambulante, tivesse sido levada pela polícia. ''Estou com muito medo'', disse, entre lágrimas.
Ariadne acabou sendo consolada até mesmo pelo presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella. Ele também percorria o corredor de barracas, tentando acalmar ambulantes. Mostrava-se bastante contrariado com a ação da polícia.
Após o ''mutirão'', a situação piorou, desta vez na Avenida Leste-Oeste. A prisão do jovem Jessé Cândido dos Santos, 18 anos, acabou sendo o motivo de um violento desentendimento entre policiais e camelôs. Ele foi flagrado ao ajudar um vendedor a levar sacolas de CDs piratas para fora do camelódromo. Os dois acabaram sendo detidos por PMs.
A mãe de Jessé, Josefina Franco dos Santos, 57, que vende salgados em um carrinho defronte ao Terminal Urbano, tentou em vão tirá-lo da confusão. ''Meu menino tem um pouco de deficiência mental e não sabe se virar sozinho. Ele só estava ajudando o rapaz a levar os CDs embora'', disse.
Anderson Amaurílio da Silva, outro deficiente mental que teria sido agredido por PMs, disse que queria ''justiça''. ''Foram (os policiais) Rubens e Rangel. Eles chegaram gritando e me agrediram no meio da confusão'', acusou.


