Vivian de Albuquerque
Até o final deste ano, aproximadamente 88 mil brasileiros estarão sendo operados, gratuitamente, de problemas como catarata, hérnia, varizes e próstata. Consideradas como cirurgias eletivas (não emergenciais), as operações serão custeadas pelo Ministério da Saúde, dentro da chamada ‘‘Campanha Nacional de Mutirões de Cirurgias Eletivas’’.
Lançada ainda em abril deste ano, pela portaria 279 do MS, a campanha tem como primeira etapa as cirurgias de catarata em todo o país. Só no Paraná, em apenas três meses, a meta é a de triplicar o número de cirurgias do gênero, realizadas no período de um ano. Assim, enquanto em 98 foram realizadas 1200 operações, até o final de julho, quando terá início a segunda etapa da campanha, 3.500 pessoas deverão estar voltando a enxergar em todo o Estado.
‘‘Só por estes primeiros resultados já podemos ver que é uma campanha extremamente positiva’’, comenta o secretário municipal de Saúde de Curitiba, Luciano Ducci. ‘‘Só aqui na cidade, quase 8 mil pessoas submeteram-se à triagem, e destas estaremos operando pelo menos mil. Coisa que seria praticamente impossível se não tivéssemos aderido ao mutirão nacional’’.
‘‘Nós já recebemos as instruções iniciais para a próxima campanha que é a da hérnia’’, explica o coordenador estadual do mutirão, Carlos D’Ávila.‘‘E devemos estar repassando os primeiros levantamentos sobre os postos de serviço disponíveis no Estado ainda nesta semana para o Ministério da Saúde. Só então é que eles deverão nos enviar as metas e valores a serem aplicados’’.
De acordo com o coordenador, a principal vantagem na adesão aos mutirões, é a da diminuição das filas à espera de cirurgias eletivas, que justamente por não serem consideradas como emergenciais vão sendo adiadas conforme a disponibilidade do município.
‘‘Mas outros pontos também devem ser considerados’’, completa ele. ‘‘Entre eles o do credenciamento de novos profissionais. Muitos médicos sentem-se mais animados a operar pelo SUS, uma vez que o número de pacientes do mutirão é bem maior e que o valor repassado ao procedimento tem um pequeno acréscimo por causa do pacote’’.
Com um ponto de vista um pouco diferente, o médico patologista Nizan Pereira, que foi secretário estadual de saúde entre os anos de 91 e 94, diz que a campanha, mesmo com bons resultados, não passa de uma obrigação do Ministério da Saúde. Segundo ele, ‘‘ela é ótima, mas não ideal’’.
‘‘Eu diria que é como a exposição da ponta de um iceberg. Quando o Ministério da Saúde faz uma campanha como esta, está apenas reconhecendo a sua própria dificuldade em dar uma atenção integral aos pacientes brasileiros’’, diz Pereira.
Segundo o médico, o que seria mesmo necessário era a realização de todo um trabalho de prevenção, e não apenas de cura parcial da população brasileira. ‘‘É claro que fazer 3,5 mil pessoas voltarem a enxergar só num estado é significativo’’, diz. ‘‘Mas e os outros que não estão tão ruins assim e não passaram na triagem. Com eles ficam?’’, questiona.
Depois da hérnia em julho e agosto, os meses de setembro e outubro serão destinados às cirurgias de varizes de membros inferiores, e os de novembro e dezembro, para as cirugias de próstata. O orçamento do Ministério da Saúde para as campanhas é de R$ 36 milhões.

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