Mutirão recolhe entulho e recicláveis no União da Vitória
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terça-feira, 01 de março de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Em poucas horas, quatro caminhões disponibilizados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) foram carregados com galhos de árvores, restos de materiais de construção e muito lixo despejado irregularmente em terrenos baldios e fundos de vale do Jardim União da Vitória, na zona sul de Londrina. Em meio à sujeira, funcionários terceirizados da companhia encontraram pedaços de eletrodomésticos, vasos sanitários quebrados e até animais mortos.
O segundo dia do mutirão de limpeza realizado no bairro contou com o apoio dos agentes de endemias e de recicladores da cooperativa Coopermudança. A expectativa do coordenador de limpeza urbana da CMTU, Ricardo Ferreira, é recolher mais de 20 caminhões de entulho até o final da semana. Os materiais serão levados à Central de Tratamento de Resíduos (CTR) no Distrito de Maravilha. "No União da Vitória existem, pelo menos, seis pontos de descarte irregular. Algumas pessoas fazem a reforma das casas e acabam descartando o que sobra nos fundos de vale. É um bairro que precisa de uma grande limpeza, de duas a três vezes ao ano", ressaltou.
A iniciativa do mutirão partiu de um grupo de adolescentes atendidos pelo Instituto União para a Vitória, com sede no bairro. A educadora social Pâmela Raquel Gonçalves contou que os participantes do projeto "Política e Cidadania", desenvolvido na instituição, debateram melhorias estruturais e atitudes que poderiam mudar a realidade dos moradores. "Eles escreveram uma carta, no final do ano passado, em que citaram a falta de iluminação, o asfalto ruim e até a falta de asfalto nos jardins União da Vitória 5 e 6, a ausência de sinalização em alguns pontos, falhas no sistema de reciclagem, orelhões que não funcionam e a falta de áreas de lazer na região", destacou.
Com o pedido de reivindicações, o grupo entrou em contato com representantes da Câmara de Vereadores e da Prefeitura. "A gente tenta desenvolver nos adolescentes o senso crítico e a percepção de que eles podem mudar alguma coisa na comunidade, que podem fazer a diferença", ressaltou Pâmela. Os adolescentes participam da limpeza no bairro e pretendem desenvolver outras ações.
Para Beatriz da Silva, de 16 anos, a oficina promovida no instituto motivou os participantes na luta pelas melhorias. "O nosso bairro é muito desvalorizado por causa de fatos que ocorreram no passado. O bairro, para a gente, é mais do que um bairro. É a nossa história que está aqui. Agora a gente pretende cuidar e fazer o nosso melhor para evoluir", destacou.
O mutirão começou na segunda-feira com a roçagem do mato próximo à Avenida Guilherme de Almeida. Ontem, agentes de endemias distribuíram sacos verdes e entregaram panfletos com orientações sobre a separação do material reciclável. No entanto, o agente Leonardo Bezerra encontrou, pelo menos, dez imóveis fechados da lista de 40 que teriam que ser visitados até a metade da manhã. A zeladora Cristina Borges da Silva recebeu as orientações. "A gente fica preocupado com a doença. Aqui em casa eu não acumulo nada", adiantou a moradora.
Na quinta e no sábado serão feitas as coletas de materiais recicláveis e de produtos da chamada linha branca, como geladeiras e micro-ondas já em desuso. A CMTU também deve recolher materiais que podem servir como criadouros do mosquito Aedes aegypti. Durante a semana, palestras sobre doenças sexualmente transmissíveis, dengue e outros temas serão promovidas em escolas do bairro. No sábado, diversas ações serão realizadas à tarde, a partir das 13 horas, durante o último dia de mutirão.
Em toda a cidade há, aproximadamente, 300 pontos de descarte irregular de entulho. "No dia a dia, as nossas equipes tentam, na medida do possível, limpar a cidade toda. Mas, em alguns casos, na semana seguinte a sujeira já se acumula no mesmo lugar. Quando a atitude parte da própria comunidade que ajuda e participa das ações, a gente percebe que há uma preocupação maior em manter essa limpeza", afirmou o coordenador de Limpeza Urbana da CMTU. Em dezembro, uma ação semelhante foi realizada no Conjunto Novo Amparo, na zona norte.


