Mutirão quer zerar fila de cirurgias
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
A secretária Gisele Aparecida de Moraes não vê a hora de voltar a usar sapato de salto alto e jogar vôlei. Desde 2005 ela sofre com lesões no menisco e ligamento anterior cruzado e há mais de seis meses aguardava na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar uma cirurgia no joelho esquerdo. Ontem Gisele seria operada pelo corpo clínico do Hospital Ortopédico de Londrina graças a uma parceria inédita entre Estado, município e prestadoras de serviço para a realização de um mutirão de cirurgias eletivas. O programa foi lançado ontem em Londrina com a presença dos secretários estadual e municipal de Saúde, Gilberto Martin e Aparecido José Andrade, respectivamente, e o prefeito interino José Roque Neto.
Segundo Martin, o objetivo do programa é zerar a fila de espera por cirurgias eletivas no SUS. Foi fechada parceria no valor de R$ 2,4 milhões para o período de um ano. O Estado entrará com R$ 100 mil mensais e o município com outros R$ 100 mil, informou o secretário. Ortopedia e otorrinolaringologia serão as duas primeiras especialidades a ser atendidas pelo mutirão. De acordo com Martin, estas duas áreas são as mais complicadas para atendimento de pacientes do SUS devido ao número reduzido de profissionais formalmente credenciados ao sistema. Somente na área de otorrinolaringologia serão operados 600 pacientes no Hospital OtoCentro. Em ortopedia, a previsão é atender 1,5 mil pessoas.
De acordo com Andrade, 80% das quatro mil cirurgias represadas na fila do SUS em Londrina são nas especialidades de ginecologia, cirurgia geral, otorrino e ortopedia. A expectativa, segundo o secretário, é atender 70% desta demanda com os mutirões. Buscaremos parcerias com outros hospitais, tais como o Hospital Universitário (HU), Santa Casa e Evangélico, entre outros, afirmou. Os critérios de seleção de pacientes para o mutirão são tempo de espera, grau de emergência da cirurgia e limitação física do paciente. O secretário adiantou que o município planeja realizar nos mesmos moldes um sistema de mutirão para diminuir as 40 mil consultas que se encontram atualmente em espera na cidade.
No Hospital Ortopédico de Londrina seriam operadas entre ontem e hoje 22 pessoas, a maioria com problemas nos joelhos. Grande parte dos pacientes que aguarda, em média, dois anos por uma cirurgia ortopédica, são homens jovens, em idade produtiva, e que estão afastados do trabalho gerando despesas aos cofres públicos, detalhou o diretor administrativo do hospital, Paulo Marcel Yoshii.
O repositor Emerson Santos, 24 anos, realizou ontem cirurgia no joelho direito após aguardar um ano na fila de espera. Não podia agachar para repor os produtos porque logo o joelho reclamava. Agora terei mais firmeza para me locomover, comemorou. Os pacientes operados também terão direito a fisioterapia para reabilitação.


