Mutirão pela educação
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terça-feira, 16 de agosto de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Ancinhos, martelos, pincéis, rolos de pintura, carriolas, lixas, espátulas e vassouras. Este foi o arsenal utilizado na terça-feira (16) por 63 alunos soldados da Escola de Formação da Polícia Militar na reforma da Escola Municipal Leonor Maestri de Held, localizada no Jardim Santa Rita (zona oeste de Londrina). O aspirante a oficial, Marcos Vinícius Stuqui Mastine, explica que essa ação é uma das várias que a PM vem desenvolvendo voluntariamente em agosto, mês de aniversário de 162 anos da corporação.
Mas não foram só os policiais que colocaram a mão na massa. Na segunda-feira, cerca de 30 profissionais, de todas as diretorias da Secretaria Municipal de Educação, como planejamento, infraestrutura e pedagógica, e do corpo docente da unidade escolar se uniram no mutirão. Eles trabalharam na reorganização da instituição, analisando setores como as salas de aula, biblioteca e administração. Depois, retiraram os materiais estragados ou em desuso, recolheram entulhos e fizeram a limpeza interna da escola.
Na terça-feira, os PMs também removeram os entulhos, pintaram a parte externa da escola, fizeram a capina e a roçagem do entorno E também desmontaram a antiga casa do caseiro, que estava desocupada. "Essa casa não era usada e estava sendo vandalizada", apontou Mastine.
Essa recuperação da infraestrutura era uma reivindicação antiga dos pais. A presidente da Associação de Pais e Mestres da escola, Maria Pedro Ribeiro, observou que a situação da unidade era precária. "É uma escola de madeira e tem sido alvo constante de ataques de ladrões. A gente pede apoio da comunidade para não invadir a escola, não furtar e não ficar quebrando tudo, pois isso prejudica as crianças e não outras pessoas."
A má conservação da escola facilita, por exemplo, a invasão, já que várias
tábuas das paredes podem ser removidas facilmente. "Como os prédios são de madeira, são alvos frequentes de vandalismo e de furtos. Já levaram merenda, eletrônicos, entre outras coisas", citou o diretor da instituição, Alceni Alves de Lima, ele apontou que desde que assumiu o cargo, há três anos, a unidade foi invadida dez vezes.
O diretor aponta que o contrato da prefeitura com a empresa de monitoramento prevê a reposição dos equipamentos e objetos furtados, sem que haja ônus para a escola ou para a prefeitura. "Só que o transtorno de registrar o boletim de ocorrência a cada vez que acontece um episódio desses é desconfortável", lamenta.
O aspirante Mastine afirma que esta ação é uma oportunidade da PM mostrar que possui valores que não são apenas de policiamento. "Hoje em dia, tendo uma criança que cresce com os valores corretos, as chances de que no futuro ela se torne uma criminosa é pequena. O lugar mais propício para fazer isso é a escola", enalteceu.
Maria Ribeiro contou que o filho Kevin, de seis anos, está ansioso para ver o resultado da reforma. "Ontem (segunda-feira), ele passou aqui e achou que já tinha ficado incrível", relatou. "Eu acredito que em um ambiente limpo e organizado dá mais vontade de estudar", apontou.
O carpinteiro da prefeitura, Pedro Antônio Oliveira, agradeceu a ajuda dos voluntários. "Se não fosse a ajuda deles, o que fizemos em dois dias, eu faria em três meses", apontou.


