Aos 56 anos, a diarista Maria Lucia Zunarelli, apaixonada pela natureza, dedica um tempinho da rotina diária para cuidar de um terreno baldio próximo à sua casa, no Jardim Del Rei (Zona Sul). Frutas de todos os tipos, mandioca, batata e até cana compõem a paisagem que um dia já foi cercada de mato e descaso. ''Eu cuido sozinha de tudo, mas quando os vizinhos pedem dou um cacho de bananas, algumas batatas, mandioca. Não cobro nada, mesmo porque o terreno não é meu. Mas que eles (os vizinhos) poderiam ajudar mais, poderiam.''
Além de recuperar e preservar a área que margeia a nascente do córrego Saltinho, a diarista realiza a coleta seletiva do lixo. Todo o material reciclado é repassado para a vizinha, Catarina Maria de Jesus, que com o dinheiro arrecadado com a venda desse lixo, auxilia pessoas carentes e animais abandonados do bairro. ''Adoro ajudar o próximo'', garante Catarina.
A professora Marina da Silva Sena mora na mesma rua no Jardim Del Rei e também recicla o lixo e limpa a sujeira deixada na rua pelo vizinhos mais descuidados. ''Acho importante preservar e acredito que a conscientização deve começar nas escolas'', assinalou.
A filha de Marina estava entre os 200 voluntários que participaram, na manhã de ontem, de um mutirão de conscientização no Jardim Del Rei e nos bairros Cafezal e Jardim Tarobá (Zona Sul). Organizado pelo Serviço Ambiental Voluntário (Salvo), o trabalho atendeu cerca de mil residências. ''O maior problema do córrego é a poluição, por isso queremos conscientizar a comunidade para não jogar entulho e lixo no local. Só assim preservaremos a nascente'', declarou o coordenador do Salvo, Célio Camilo.
Entre os salvistas estavam estudantes do ensino fundamental e médio e alunos de um curso técnico em meio ambiente de escolas estaduais. Donas-de-casa, como Lourdes de Fátima Mondequi, também integraram o grupo, que distribuiu aos moradores panfletos contendo explicações sobre reciclagem e poda de árvores, além de telefones para denúncias de agressões ambientais. ''Sempre tive vontade de fazer algo pela natureza e há dois anos resolvi me juntar ao Salvo. Desde então tenho conscientizado minha família, amigos e vizinhos'', contou.
Para o mutirão, Lourdes convocou o filho André, de 18 anos. Cursando o terceiro colegial, o garoto pensa em seguir os passos da mãe como voluntário no Salvo e, quem sabe, estudar biologia na faculdade. ''Sempre que vejo um lixo no chão eu recolho. Gosto de preservar e acredito que a conscientização é o melhor caminho para a conservação dos recursos naturais.''

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