A Vila Parolin abriga uma comunidade com mais de 1,5 mil famílias, a maioria (em torno de 80%) vive da coleta de materiais recicláveis. Para melhorar as condições de higiene do local e sensibilizar as famílias com orientações de saúde e educação ambiental, um mutirão de limpeza foi realizado ontem.
A atividade começou no início da manhã e se estendeu por todo o dia. Equipes das secretarias municipais do Meio Ambiente, Saúde e Obras Públicas realizaram a retirada dos entulhos das ruas e a limpeza do córrego Vila Guaíra, que corta a comunidade. Das águas foram retirados muito lixo e até móveis.
As famílias também receberam a visita de agentes de saúde, que deram orientações sobre a prevenção de doenças como a dengue e a leptospirose, favorecidas pelo acúmulo dos materiais recolhidos nas ruas dentro de casa e pela proximidade de muitas residências com o córrego. Os moradores também foram orientados a não jogarem lixo no rio.
Uma equipe da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) acompanhou a ação. Mais de 670 famílias que moram próximo ao córrego serão transferidas para outra região da vila, em casas construídas pela companhia. É o caso do aposentado Francisco Raimundo dos Santos, 74 anos. Ele, que veio de Juazeiro do Norte, no Ceará, e há 30 anos mora na Vila Parolin, é um dos moradores que vai se mudar para a nova casa, junto com a mulher e dois filhos. Assim como os demais integrantes da comunidade, sofre com enchentes, a presença de ratos e a ocorrência de várias doenças. "Estou esperando as ordens, é uma beleza. Na beira do rio é perigoso", conta, animado.
Para o presidente da associação de moradores da vila, Edson Rodrigues, a atividade interfere diretamente na auto-estima e valorização dos moradores locais. "Oitenta por cento dos moradores são catadores de materiais recicláveis e juntam muito entulho. O que eles não vendem, jogam no fundo da casa e junta rato, aranha, barata e doenças que colocam a saúde em risco", explica. "(O mutirão) valoriza a comunidade e torna um ambiente agradável. Não é porque é uma favela não tem que ter saúde", afirma.

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