Mutirão para conter a epidemia de dengue
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sexta-feira, 18 de março de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Os agentes de Endemias da Secretaria de Saúde de Londrina e os funcionários da Copel realizaram ontem o primeiro mutirão depois do anúncio da epidemia de dengue no município. Logo pela manhã 40 leituristas da Copel e 21 agentes começaram a vistoria e coleta de lixo em 20 quadras na região central, em um perímetro compreendido entre a Rua Brasil e as avenidas Juscelino Kubitscheck, Santos Dumont e Celso Garcia Cid. O trabalho foi acompanhado por pessoas diretamente afetadas por esse lixo moradores e trabalhadores das imediações.
Léia Trannil, recepcionista de uma clínica ao lado de uma viela que liga a Avenida Santos Dumont à Rua Valter Zamarian, destacou a importância do mutirão.
"O povo joga sacos de lixo na viela e é a gente que sofre. A gente faz a nossa parte, limpa, mas aos fins de semana a clínica fica fechada e a viela fica abandonada", declara. Ela informa que foram instaladas telas nas janelas para impedir a entrada dos pernilongos. "Os mosquitos ficavam picando e isso nos deixa com medo porque agora tem o zika vírus e a chikungunya também", se referindo ao Aedes aegypti, responsável pela transmissão dessas três doenças.
Em pouco mais de uma hora, os voluntários e os agentes coletaram lixo suficiente para preencher uma caçamba de caminhão, demonstrando que a população insiste em jogar o lixo nas ruas e terrenos baldios.
O empresário Edilson Batini se mostra preocupado com a situação dos terrenos baldios, que não recebem o mesmo cuidado que ele dedica ao quintal de sua empresa. Para ele, a crise política que o Brasil vive atrapalhou um pouco a disseminação da informação sobre a doença, porque tirou o foco de problemas que fazem parte do cotidiano. "O que notei foi que essa nova fase da Lava Jato fez a população se esquecer dos problemas da cidade", apontou.
Um dos voluntários no mutirão é o eletricista Rodrigo Garcia, de 30 anos e funcionário da Copel há quatro. "É a primeira vez que participo de um mutirão em parceria com os agentes de Endemias. A nossa empresa tem feito a sua parte e buscado colaborar. No nosso entorno estamos fazendo esse trabalho de limpeza e conscientização dos moradores, mas é preciso que as pessoas também façam a sua parte", afirmou.
A gerente de Vigilância Ambiental, Diana Martins, ressalta que é muito importante que todos tenham consciência da necessidade do combate ao vetor. "Essa atitude da Copel mostra que eles estão preocupados e que eles querem ajudar. Se houver pessoas doentes aqui na região, eles serão afetados. Se todos tivessem essa preocupação, seria muito mais fácil combater o mosquito", destaca.
O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, afirma que há expectativa de uma queda no índice de infestação predial no início de abril, quando será divulgado o próximo Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa). No último levantamento, em janeiro, a infestação era de 8% - o ideal preconizado pela Organização Mundial de Saúde é de 1%. "Londrina possui 230 mil casas. Isso significa que existem mais de 18,4 mil focos na cidade."
Martin alerta que essa tendência de queda só será confirmada com o "engajamento de cada pessoa, fazendo aquilo que depende exclusivamente dela para eliminar os criadouros do mosquito."
Segundo o secretário, cada empresa pode atuar no seu espaço como se agisse em sua casa, incentivando os trabalhadores a identificar os focos do Aedes aegypti.
"Eles devem fazer isso diariamente. Para isso não são necessários mais do que 10 ou 15 minutos de trabalho. Os empresários também podem divulgar essas informações para os fornecedores e clientes."
Londrina está com 1.836 casos de dengue confirmados. Com 1.803 casos autóctones, a incidência é de 328 casos por 100 mil habitantes. O parâmetro da Organização Mundial da Saúde (OMS) para definir quadro de epidemia é incidência de dengue a partir de 300 casos por 100 mil habitantes.


