Mutirão movimenta bairros na zona leste
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local<br> 
O dia foi bastante agitado ontem na Zona Leste de Londrina, com o mutirão de limpeza do projeto Abrace Londrina. Cerca de 100 pessoas de diversas secretarias e empresas, segundo os cálculos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), coordenadora do projeto, se ocuparam da limpeza de ruas, de Unidade Básica de Saúde, escola e creche, além da pintura de pontos de ônibus, corte de mato e retirada de entulhos. A ação foi realizada nos conjuntos Armindo Guazzi, Giovani Lunardelli, Guilherme Pires e Amazonas 1 e 2.
O mutirão, que na semana anterior aconteceu na Zona Norte, tem a participação da Secretaria Municipal de Obras, Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), Secretaria Municipal de Saúde e empresas terceirizadas de limpeza pública. Pela primeira vez, teve o reforço do Patronato, com três apenados.
Com a iniciativa pretendemos manter a cidade limpa, mas também conscientizar as pessoas a cuidar do seu espaço, evitando jogar lixo em fundos de vale ou deixando entulhos de construção na calçada, diz Ronaldo Siena, assessor técnico da diretoria de Operações da CMTU.
Ao ver ações como esta, os moradores podem se sentir motivados a contribuir com mutirões, afirma Paulo Henrique Mattiuz de Carvalho, presidente da CMTU. Segundo ele, os bairros onde os moradores demonstrarem interesse em participar serão priorizados nos próximos mutirões.
A comunidade percebia a mudança que ocorria na Zona Leste no decorrer do dia. O morador Edivaldo da Silva Palhano, da Rua Álvaro Loureiro, viu finalmente uma antiga reivindicação ser atendida. Operários de uma empresa terceirizada fizeram a limpeza de um bueiro em frente à casa dele. Fazia muito tempo que esse bueiro estava entupido. Ligamos várias vezes para a prefeitura, diz. Para Palhano, ações como o Abrace Londrina resolvem com mais rapidez os problemas da comunidade. Muitas vezes o poder público se ocupa de questões grandes e os problemas básicos ficam sem solução, avalia.
Os alunos vão encontrar a Escola Municipal Francisco Pereira de Almeida Júnior com outra aparência nesta segunda-feira. O mato alto do pátio e do terreno vizinho foram cortados ontem e todo o lixo e entulho retirados. De acordo com um funcionário da escola, as chuvas frequentes da estação e a falta de manutenção contribuíram para a disseminação do mato. A creche do bairro também recebeu cuidados.
A ameaça da dengue é uma das preocupações dos mutirões. Ontem, agentes de endemias da Secretaria de Saúde percorreram as casas à procura de focos do mosquito transmissor da doença.
Um dos colaboradores mais animados era Gonçalves Ribeiro, de 41 anos, que há apenas 12 dias está em liberdade após cumprir pena por assalto. Ele e outros dois apenados se ocupavam da pintura de um ponto de ônibus na Avenida São João de manhã. Para mim essa é uma oportunidade para mostrar que sou uma nova pessoa. Espero que isso abra uma oportunidade para conseguir um emprego. (Espero) que a sociedade não me rejeite agora, afirmou.
Ribeiro conta que tinha apenas 19 anos, era padeiro profissional e por causa de más companhias se envolveu num assalto. Era jovem, recém-casado e acabei perdendo minha esposa. Fiquei anos indo de uma penitenciária a outra, relata. Mas Ribeiro faz questão de ressaltar que aproveitou bem o tempo que ficou preso. Trabalhei, terminei o 2º grau, fiz curso de administração de empresas e processamento de dados. Agora só falta uma colo-cação, afirma.
A parceria com o Patronato é, segundo o assessor da CMTU uma oportunidade de resgate de cidadania para os apenados. A sociedade deve dar oportunidade para aqueles que erraram e não estigmatizá-los. Do contrário, problemas como miséria e criminalidade só aumentarão, diz Ronaldo Siena.
O mutirão teve o apoio da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, e do Conselho de Segurança da região.


