Solidariedade e muito suor. Essa é a receita utilizada por famílias inteiras para construir ou reformar suas casas nos períodos de ‘‘folga’’. Os mutirões são comuns em diversos bairros da cidade. Para estes pedreiros de fim de semana, o principal é gastar pouco tanto com mão-de-obra quanto com material de construção.
  Um exemplo é a família da auxiliar de costureira Alice Sales da Fonseca Neves, 37 anos, moradora do Jardim Vale Azul (Zona Sul). Atualmente desempregada, ela também participa do mutirão para fazer a cobertura da garagem de sua casa. ‘‘Eu mesma ajudo, carregando telhas para entregar ao meu irmão, que está fazendo a garagem’’, disse Alice.
  O irmão dela é o metalúrgico Pedro Fonseca, 39 anos. Experiente, já trabalhou por três anos como construtor. ‘‘Como a mão-de-obra é bastante cara, se quiser construir, tem que todo mundo ajudar’’, salientou. Além dele, outro irmão e o marido de Alice, o vendedor autônomo Valdinei Neves, 32, também fazem parte do mutirão nos poucos dias de folga. ‘‘Ele está quase sempre viajando. Mas, quando está em casa, também põe a mão na massa’’, ressaltou Alice.
  Uma característica dos pedreiros de fim de semana é o ritmo da construção. A falta de tempo e de dinheiro propicia que a obra seja feita por etapas. É comum nos bairros encontrar casas sem reboque ou acabamento. De acordo com o comerciante Jairo Lopes de Melo, 46, sócio de uma loja de materiais de construção no Jardim Piza (Zona Sul), é comum o cliente comprar o material por etapas. ‘‘A maioria dos clientes faz a compra e sempre volta depois de um tempo para comprar mais’’, destacou.
  Este é o caso da família de Alice. Eles moram na casa há quatro anos. Mesmo depois da mudança, a residência está sempre em obras. A próxima etapa, após a cobertura da garagem, é a construção do muro. ‘‘À medida que vai sobrando um pouco de tempo e de dinheiro, a gente vai construindo’’, afirmou a auxiliar de costureira.
  Mesmo com a boa vontade da família, certas etapas da construção exigem a dedicação de um profissional. O alicerce e as paredes da casa foram erguidas por um construtor profissional – sempre com o auxílio dos familiares da dona da casa. A partir da cobertura até o acabamento, tudo está sendo feito pelos pedreiros da própria família.
  Apesar de contratar profissionais, o metalúrgico Eli Souza Lima, 21, não dispensa a própria participação e a dos familiares na construção da casa própria, no Jardim Neman Sahyun (Zona Sul). Para ele, no entanto, houve a união da boa vontade dos familiares com a competência dos profissionais: Lima tem um irmão encanador e outro eletricista. ‘‘A casa está sendo feita por pedreiros contratados. Mas eu, sempre que posso, estou junto, ajudando com sevente. E a parte elétrica e hidráulica serão feitas pelos meus irmãos’’, salientou.
  O encanador profissional Silvano de Souza Paulino, 34, irmão de Lima, destaca a importância da economia na mão-de-obra. ‘‘Como o material de construção é muito caro, fica mais fácil economizar quando a gente mesmo faz o serviço’’, salientou.

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