Um grupo de quase mil voluntários e agentes de saúde fez ontem um mutirão em Paranaguá para conter a cólera e informar a população sobre a maneira correta de evitar a contaminação. Apesar da chuva, eles percorreram todos os bairros, divididos em 11 regiões, procurando visitar todas 40 mil casas. Até o final da manhã 15 pessoas foram encaminhadas para exames, pois apresentavam sintomas da doença. Eles estavam com diarréia e vômito. O mutirão poderia continuar hoje, caso não fosse possível percorrer todo o município.
Técnicos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que acompanham o trabalho da Secretaria Estadual da Saúde, vão fazer ainda um mutirão na região do pátio de triagem de caminhões do Porto de Paranaguá. Há no local uma grande movimentação de pessoas por causa do embarque da safra de soja. Na segunda-feira, o ministro da Saúde, José Serra, pode chegar em Paranaguá para saber como está o controle da epidemia.
O balanço feito pela Regional de Saúde de Paranaguá mostrava no final da manhã de ontem que havia 307 casos confirmados de cólera no município. Os números seriam atualizados no final da tarde, mas, segundo o diretor de gerenciamento da Secretaria Estadual de Saúde, René Santos, a velocidade do avanço da doença está menor devido à conscientização da população. O mutirão foi feito com a distribuição de panfletos explicativos.
O diretor geral da Secretaria da Saúde, Arnaldo Bertone, informou que não foi feita a entrega de hipoclorito de sódio, substância que deve ser adicionada à água que será consumida pela população. O produto pode ser encontrado nos postos de saúde. ‘‘No dia-a-dia estamos também levando o hipoclorito para as áreas mais suscetíveis à doença’’, afirmou.
Outra preocupação, em Paranaguá, é evitar que a cólera chegue aos municípios vizinhos. Em Morretes há seis casos suspeitos da doença, sendo que os resultados devem sair até esta terça-feira. O funcionário da Secretaria Municipal da Saúde de Morretes, Samir Tomás, disse que dificilmente os exames apontarão a cólera. ‘‘Morretes teve muitos casos de hepatite. Sofremos um surto e os sintomas da doença são parecidos com os da cólera’’, afirmou.
Em Antonina, a prefeitura determinou uma barreira para evitar a entrada do vibrião. A secretária de Saúde, Neide Fernandes, disse que todos os carros que chegam de Paranaguá são vistoriados. ‘‘Estamos ainda percorrendo as ilhas. Já distribuímos 5 mil folhetos’’, afirmou.
Já em Curitiba, dos 41 casos suspeitos 28 foram descartados, conforme informou ontem o secretário estadual da Saúde, Armando Raggio. ‘‘Não há casos de cólera em Curitiba’’, declarou o secretário. Ele participou ontem à tarde do mutirão em Paranaguá. O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, percorreu a região do bairro da Fazendinha para alertar a população sobre os riscos da cólera.
Hipoclorito O Laboratório de Produção de Medicamentos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) irá produzir em uma semana 100 mil frascos de hipoclorito de sódio para serem distribuidos em Paranaguá e outras cidades do litoral e da região metropolitana de Curitiba. Os funcionários do laboratório e de outros setores da UEL fazem mutirão durante todo o final de semana para produzirem a primeira remessa, de 15 mil frascos.

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