Uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), ontem, ajudou a diminuir a fila de espera por consultas nessa especialidade no sistema público de saúde em Londrina. Um grupo de 15 dermatologistas da cidade, membros da SBD, trabalharam durante toda a manhã como voluntários na Policlínica Municipal. A ação também marca o Dia do Dermatologista, comemorado hoje.
Todo ano, a SBD promove atendimentos junto à população para a detecção precoce do câncer de pele. Em Londrina, a ação normalmente é feita em dezembro, no Calçadão. Mas a iniciativa de atendimento na rede pública, segundo o dermatologista Lorivaldo Minelli, do conselho da SBD, é inédita. A expectativa, segundo ele, é que a prática seja realizada mais vezes.
A fila de espera para uma consulta com um dermatologista é de cerca de três mil pessoas, segundo a gerente de ações em saúde da secretária municipal de Saúde, Rosângela Libanori. O atendimento demora, em média, seis meses, podendo chegar a dois anos se o paciente tiver preferência por um profissional.
Ela explicou que na Policlínica as consultas são realizadas por três médicos dermatologistas. Na cidade, o atendimento especializado também é oferecido no Consórcio Municipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) e no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Na cidade são em média 500 a 600 atendimentos por mês, para no máximo 10 dermatologistas'', explicou.
A ação de ontem, segundo Rosângela, atendeu cerca de 150 pessoas e equivaleu a pouco mais de 20 dias de atendimento na Policlínica. ''É uma iniciativa que ajuda bastante, e é muito significativa, foi praticamente um mês de atendimento na Policlínica'', afirmou. As consultas de ontem foram de pacientes que já haviam sido encaminhados por um posto de saúde e passado por uma triagem. Foram 180 consultas marcadas, com algumas faltas.
O caso mais grave foi o de um homem que teve identificado um melanoma nas costas, o mais maligno dos cânceres de pele. Ontem mesmo ele passou por uma pequena cirurgia para retirada do tumor. Segundo Minelli, se a cirurgia não fosse feita poderia ocorrer metástase do câncer. ''As pessoas normalmente acham que dermatologia está ligado apenas à estética, e não é só isso. A especialidade detecta doenças importantes, são mais de cinco mil doenças dermatológicas diferentes. No caso do câncer de pele, quanto mais precoce for o diagnóstico, melhor'', afirmou Minelli.
Para o trabalhador rural Cícero Ribeiro da Silva, de 34 anos, a consulta ontem foi o fim de uma espera de pouco mais de um ano. Com ardência e vermelhidão nos braços e nas costas, tudo o que ele quer é encontrar o alívio de um tratamento. ''Nem sei o que é (a doença), nunca passei por consulta (com um dermatologista)'', afirmou.

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