Mutirão da Prótese em Guaravera
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domingo, 04 de fevereiro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Desde ontem, 82 moradores do distrito de Guaravera (Zona Sul de Londrina) estão exibindo novos sorrisos. Eles participaram do projeto piloto desenvolvido pelo Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) da Secretaria Municipal de Saúde, batizado de Mutirão da Prótese. A iniciativa contemplou casos emergenciais, de pessoas - algumas bastante jovens - que há anos não sabiam o que é poder comer de tudo e rir sem medo de exibir um indesejável vazio na boca.
O mutirão começou no dia 13 de janeiro, com atendimentos feitos aos sábados. ''A idéia nasceu da grande demanda e dificuldade de deslocamento de muitos até Londrina, para atendimento no CEO'', explicou o coordenador do projeto, o cirurgião dentista André Wilson Domingues Gomes. Foram atendidos pacientes acamados (uma equipe se encarregou de buscá-los) e outros que já estavam com problemas de fala pela falta de dentes ou perdendo peso pela dificuldade de mastigação.
Os atendimentos foram acompanhados por médico, enfermeiros e fisioterapeuta. Para a confecção das próteses, uma equipe de protéticos que presta serviço para o CEO se deslocou para o distrito nos quatro últimos sábados. ''A idéia é desenvolver o projeto também em outras unidades'', informou Gomes. O dentista explicou que o Centro de Especialidades oferece atendimento de prótese para 50 unidades básicas de saúde, o que dá uma média de dois atendimentos por mês para cada uma. ''A demanda é muito maior que isso.''
O resultado positivo do mutirão era facilmente percebido pelas conversas ouvidas no corredor do posto de saúde na manhã de ontem. ''Você ficou bonita... Agora vai dar até para comer carne, heim?'', brincava a dona-de-casa Sueli Lopes da Silva com uma amiga, que saía meio encabulada do consultório, exibindo a nova dentadura. A própria Sueli está se adaptando a um novo sorriso. Aos 35 anos, diabética, ela estava há cerca de dois anos sem dentes na boca. ''Não podia nem fazer minha dieta direito'', contou.
Sueli colocou a prótese há uma semana, e ontem procurou a equipe para fazer alguns ajustes. Mesmo assim, já percebeu que não será mais capaz de viver sem dentes. ''Não estou conseguindo ficar sem nem para dormir. Eu tinha muita vergonha, sempre colocava a mão na boca para rir. Pedi muito a Deus para um dia conseguir fazer esse tratamento.'' Segundo a dona-de-casa, se tivesse que pagar pela dentadura, provavelmente ficaria sem dentes pelo resto da vida. ''Foi um alívio'', definiu.
Adriana Pio de Souza, 30 anos, foi uma das pacientes mais novas a receber prótese total. ''Quando criança, minha gengiva sangrava muito na hora de escovar, mas eu não tinha como ir ao dentista. Daí acabei perdendo quase tudo'', revelou. Há alguns anos, ela conseguiu colocar uma dentadura na arcada superior, mas restaram apenas três dentes inferiores. Ontem, enquanto aguardava para receber os dentes postiços, ela antecipou o que sentiria: ''Vai ser uma alegria!''


