''Um inseto tão pequeno, tão difícil de matar'', canta Almeirinda Chagas Macione, que compôs há três anos a música que é um dos símbolos do combate à dengue em Londrina. O refrão ''eeê, fumacê, aaá, fumaçá'' é sempre acompanhado por várias vozes. Não foi diferente durante toda a manhã de ontem, durante o Dia D contra a Dengue promovido pela Secretaria Municipal de Saúde.
Cerca de 1600 pessoas - entre servidores municipais e voluntários - participaram do alerta para a comunidade londrinense. Os riscos de uma epidemia não foram descartados e preocupam. Em um semana, segundo dados do coordenador municipal de endemias Luiz Alfredo Gonçalves, o número de casos autóctones (em que a pessoa contrai a doença dentro de Londrina) subiu de 17 para 33. Até ontem, tinham sido confirmados 53 casos de dengue, sendo que 20 foram importados de outras cidades.
A projeção dos organizadores é que das 8 horas ao meio-dia, o mutirão anti-dengue tenha visitado cerca de 30 a 35% dos imóveis da cidade. ''Só tem um jeito de acabar com a dengue, que é as pessoas fazerem a sua parte'', disse ontem Mauricio Barros, diretor de saúde ambiental, para as dezenas de alunos da Escola Educacional MAF, uma das participantes do Dia D.Cerca de 180 alunos da 3 a 8 séries se mobilizaram para visitar casas da região da Avenida Inglaterra.
Em 2003, Londrina registrou uma epidemia com cerca de sete mil casos de dengue. ''Agora o risco é ter caso grave, que pode levar à morte'', avisa Luiz Alfredo Gonçalves. É que, segundo o coordenador, muitas pessoas que já ficaram doentes não andam se preocupando em eliminar os focos do mosquito em casa.
Mesmo depois de ter passado a manhã distribuindo kits com sacos de lixo e panfletos educativos, o jovem Fabrício Emmanuel Marques, 12 anos, não encerrou sua missão anti-dengue. Antes de ir embora, recolheu mais material para levar para os vizinhos. ''Eu moro na área rural e tem muitas chácaras por lá. As pessoas têm que se preocupar'', ensina.
No Calçadão (área central), mais de três mil folhetos foram distribuídos pelo mutirão. Apesar de outra ação parecida não estar agendada, a mobilização promete continuar.
Nunca é demais lembrar que o mosquito se desenvolve em água parada. A estudante Renata Igarashi, 12 anos, sabe bem a lição. ''Eu e uma amiga colocamos areia nas plantas do condomínio'', diz. Voluntária do mutirão, Renata visitou a casa do aposentado Aparecido Balestra, para quem entregou um kit. A tarefa foi fácil, já que Balestra é um cidadão consciente. ''Aqui nem tem pratinho de vaso'', garante.

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