Emerson Gonçalves
Especial para a Folha
De Curitiba
Apesar da inexistência de dados mais precisos em relação a mutilações devido a acidente de trabalho, o Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná prepara uma campanha para expor o problema, muito comum nos setores industrial e de construção civil. O diretor da área de Saúde a entidade sindical, Núncio Mannala, comenta que grande parte do parque industrial paranaense é antigo e obsoleto, o que permite uma incidência frequente de ocorrências do gênero. O sindicalista aponta que muitos empresários não investem em equipamentos de segurança por acharem que isto reduz e encarece a produção.
A ‘‘economia’’ feita neste sentido acaba se refletindo em números pouco animadores. Segundo a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), recentes estatísticas revelam que para a Previdência Social o custo direto com acidentes de trabalho na indústria paranaense gira em torno de R$ 76,3 milhões ao ano. A assessoria da Fiep coloca ainda que o gasto médio por caso é de R$ 12,7 mil. Nacionalmente este prejuízo chega a R$ 8,9 bilhões por ano, dinheiro que, segundo a federação, poderia ser usado para construir 600 mil casas populares.
Os dados mais recentes referente a mutilações desta natureza no Paraná são de 1998. Tanto o INSS, como a Secretaria de Estado da Saúde, comunicam que o grande número de comunicado de acidente de trabalho (cats), bem como os que deixam de ser notificados acabam atrapalhando e atrasando o mapeamento das ocorrências. A atualização destes dados também é uma reivindicação do Sindicato dos Metalúrgicos. ‘‘Somente em nosso estado são emitidos de 35 a 36 mil cats por ano. Acho que a secretaria (de Saúde) deveria remanejar mais gente para a tabulação destes dados’’ diz Mannala.
Já a coordenadora do Departamento de Saúde do Trabalhador da secretaria, Cristina Ribeiro de Araújo, discorda da afirmação e dos números do sindicalista. ‘‘Não falta uma política de trabalho neste sentido, temos a estrutura para fazer este levantamento. Para a investigação destes casos contamos com a infra-estrutura de 22 regionais de saúde do Estado, além do apoio do serviço de Vigilância Sanitária dos 399 municípios. Mas a atividade informal e a frequente ausência de comunicados, além do número grande cats, devem ser levados em conta no momento de se tabular estes dados’’, diz Cristina Ribeiro.
Ela explica, que em 1997 foram feitos 13.940 cats, e ano no seguinte 19.650. Já os quadros que resultaram em amputação no Paraná subiram de 215 casos em 1997 para 267 em 1998. Na grande Curitiba os números subiram neste mesmo período de 46 para 66 ocorrências. Apesar da ausência de dados mais atualizados, Cristina Ribeiro comenta que o Comitê Estadual de Investigação e Óbitos e Amputações referente ao Trabalho, criado há cerca de dois anos, do qual ela também é coordenadora, já tomou conhecimento de 700 casos.
O último ranking de acidentes de trabalho com mutilação apontava em primeiro lugar o setor madeireiro com 17% dos sinistros, em segundo vinha a construção civil com 11,2% e em terceiro o ramo metalúrgico com 9,0%.

mockup