Músicos de Londrina criticam ação da OMB
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segunda-feira, 19 de junho de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
O que fazer com uma entidade que é repudiada pela sua própria categoria profissional? A Ordem dos Músicos do Brasil, OMB, vem lutando para sobreviver num processo cada vez mais autofágico. O desafio é grande já que as críticas são dos próprios músicos.
Os profissionais garantem que a OMB não é uma instituição séria, não tem buscado melhoria de condições de trabalho para a categoria e há anos persegue os músicos que não possuem a carteira profissional com o principal objetivo de cobrar-lhes multa.
''Eu tenho carteira da OMB, mas ela não tem utilidade nenhuma. A entidade não funciona. Me lembro até hoje do teste ridículo que fiz para poder tirar a carteira. Qualquer pessoa consegue comprar uma carteira profissional de músico. Quando fui pagar a taxa, nem deixaram que eu fizesse um cheque nominal à OMB'', diz a cantora e instrumentista Wendy Miceli.
De acordo com o lei nº 3.857, a profissão de músico é privativa do profissional inscrito na OMB que se encontrar em dia com suas obrigações, como possuir a carteira da entidade. Para conseguir a carteira, o músico deve passar por um teste e pagar uma taxa de R$ 271,00. Ainda de acordo com a lei, o músico deve pagar uma anuidade de R$ 99,00. A multa para quem estiver trabahando sem carteira é de R$ 150,00.
O fiscal da Delegacia da OMB em Londrina, Sidney da Costa, salienta que o principal benefício da carteira é proporcionar condições para o músico exercer sua profissão e que além disso, a entidade garante assessoria jurídica gratuita e descontos em estabelecimentos comerciais.
''O músico é uma classe desunida. Eles alegam que a carteira não traz benefício nenhum, mas não se informam. Vamos continuar fazendo as fiscalizações. Não queremos prejudicar o trabalho deles mas queremos que eles cumpram a lei'', diz o fiscal.
Um músico da cidade, que preferiu não se identificar, disse que a maioria dos colegas de trabalho não têm a carteira e não fazem questão de ter. Segundo ele, a fiscalização tem aparecido nas casas ou bares, em momentos estratégicos, só para cobrar as multas.
''O que a OMB faz para melhorar as condições dos músicos? A questão do couvert artístico, dos camarins, banheiros, estrutura em geral onde os músicos tocam? Essa entidade não nos representa porque não luta por melhorias de condições para nós'', reclama.
Vitor Gorne, músico da Orquestra da Universidade Estadual de Londrina, também está insatisfeito com a OMB. Apesar de ter a carteira profissional, ele não concorda com a maneira como ela é feita. ''Vários músicos estão buscando, por meio da justiça, trabalhar sem a representatividade da OMB. Há muito tempo não existe transparência nem uma fiscalização séria por parte da entidade'', salientou.
O presidente do Conselho Regional da OMB do Paraná, Aramides Eugênio Biazello, não tira a razão dos músicos e admite que há alguns anos a entidade não trazia mesmo benefício nenhum. ''Fazem dois anos que estou aqui e temos buscado trabalhar em benefício do músico. Inclusive, músicos que tiverem dúvidas ou reclamações sobre procedimentos daí de Londrina podem entrar em contato conosco'', ressaltou. Existem 29.386 músicos inscritos na OMB do Paraná. Em Londrina e região são cerca de 2.500.
Serviço
A sede do Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Paraná fica na Avenida Visconde de Guarapuava, 2.907, em Curitiba. O telefone para atendimento é o (41) 3223-5337, das 13h às 18h.


