A morte do casal Alécia Garuti Pelissari, 58 anos, e José Salvador Pelissari, 62 anos, planejada e encomendada pelo filho adotivo, Júlio Fernando Garuti, 24 anos, abalou Apucarana e região no final de semana. O comerciante José Salvador e a mulher eram bastante conhecidos na cidade. O casal foi executado por volta das 23 horas de sábado, quando assistia televisão na casa onde morava, na Rua João Braga Cortes, no Jardim São Pedro.
A polícia foi avisada do duplo homicídio pelo próprio filho do casal que, ao retornar do cinema, pediu ajuda a vizinhos e depois telefonou para a delegacia. Quando chegaram à casa, os policiais depararam com o filho chorando junto aos corpos da mãe e do pai. Tudo havia sido preparado para que o caso fosse tratado como um latrocínio.
Dois detalhes contribuíram para que, rapidamente, a equipe do delegado do 1º DP, João Batista Pinto, elucidasse o duplo crime. ‘‘Nada foi furtado da casa e não havia sinais de arrombamento, deixando claras evidências de que quem matou o casal tinha informações sobre a rotina do casal e teve facilidades para entrar’’, concluiu o delegado.
Diante das pistas levantadas pelos investigadores, Júlio Ferando Garuti, que é professor de teclado e corretor de seguros, foi levado para a delegacia onde, em interrogatório, caiu em contradição várias vezes. Na madrugada de domingo, acabou confessando que planejou e contratou duas pessoas para matar seus pais.
De posse dos nomes e endereços, ainda na madrugada, os policiais prenderam na Vila Nova, Claudinei Ramos dos Santos, 19 anos, e José Souza de Oliveira, 29 anos, conhecido por ‘‘Zoinho’’.
Plano Após a confissão de Júlio e a prisão dos demais envolvidos, a polícia descobriu que a morte do casal começou a ser planejada há um mês, numa lanchonete. Foi durante um encontro de Júlio com seu amigo Claudinei. Na ocasião, Júlio reclamava bastante, principalmente, de seu pai, que ficava implicando com o seu comportamento. Na conversa, Claudinei sugeriu que ele desse fim nos pais.
Uma semana depois, Júlio reencontrou Claudinei e disse que estava resolvido a matar seus pais e, então, ambos planejaram como tudo seria feito. Claudinei vendeu uma mobilete para comprar um revólver e ainda exigiu a contratação de mais uma pessoa para fazer o ‘‘serviço’’. Zoinho aceitou participar com a promessa de que receberia R$ 6 mil de Júlio.
No sábado, depois que o casal saiu para ir à missa, Júlio apanhou Claudinei e José na Vila Nova e os levou para sua casa. Zoinho ainda recebeu um revólver calibre 22, que era de José Salvador. Os dois ficaram escondidos no quarto de Júlio, aguardando a chegada do casal. Às 22h30, quando o casal assistia televisão, foram surpreendidos por Claudinei, que disparou três em cada vítima.
Em seus depoimentos na 17ª Subdivisão Policial, Júlio admitiu que é homosexual e que mantinha relações com Claudinei, que também confirmou o caso, e acrescentou que Júlio insistia para que ele fosse morar junto com ele. De acordo com as investigações, além dos R$ 6 mil prometidos a Zoinho, Júlio Fernando, que era o filho único do casal, havia se comprometido a dar um Gol, ano 98, de seu pai, ao amigo Claudinei. Com a morte dos pais, o filho pretendia ainda ficar com um Santana, a casa e mais um imóvel do casal.
Velório Desde as primeiras horas da manhã de domingo, o velório do casal lotou as dependências da Capela Mortuária, obrigando funcionários da Autarquia de Serviços Funerários a organizar filas. O sepultamento foi no final da tarde de anteontem, no Cemitério Cristo Rei.

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