Música que transforma vidas
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quarta-feira, 25 de julho de 2018
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Transformação. Foi com essa palavra que o jovem musicista David Nascimento, 21, definiu a importância da música na própria vida. Integrante da ONG Ação Social pela Música do Brasil, que atende crianças e jovens de comunidades pacificadas do Rio de Janeiro, ele participa em Londrina, com outros dez jovens cariocas, das aulas do Festival Internacional de Música de Londrina. No dia 28, às 20h30 no teatro Ouro Verde, apresentam com a orquestra do Festival a ópera Carmen, de Bizet, no espetáculo de encerramento do evento. A ONG da qual fazem parte visa à inclusão social e à formação da cidadania, através do ensino da música clássica, para crianças, adolescentes e jovens residentes em comunidades em situação de vulnerabilidade social em várias cidades do Brasil.
O time do projeto que está em Londrina é composto também por Mariana Pereira, 18, Lucas Freitas, 20, Anna Eliza, 17, Gabriel Paixão, 16, Jean Barreto, 20, Rodrigo Silva, 21, Gilbert Vilela, Gabriel Veloso, Natanael Paixão, 18, e Pablo Alisson, 21. Todos aprendem música há pelo menos quatro anos e alguns já estão na Ação Social pela Música a mais tempo. Morro dos Macacos, Morro do Alemão, Babilônia e Providência são alguns dos endereços do grupo.
A história dos jovens músicos cariocas têm muitas semelhanças. Moradores de comunidades pacificadas, eles encontraram nas aulas a oportunidade para superar dificuldades e adversidades. "Muitos de nós fomos encaminhados por assistentes sociais", contam.
Nascimento, por exemplo, diz que na infância "fazia muita besteira". "Repeti de ano quatro vezes, fugi de casa, fui parar no juizado porque tentei agredir uma professora. A música me transformou porque foi através dela que aprendi disciplina e educação", considera. Selecionado para estudar na Alemanha com uma bolsa de estudos, ele conta que a música também trouxe perspectiva de futuro. "Me vejo em dez anos tocando na Orquestra Filarmônica de Nova Iorque e frequentando clubes de jazz", afirma.
Paixão conta que costumava ficar em casa enquanto o irmão Natanael ia para o projeto. "Um dia decidi conhecer e resolvi ficar. Eu queria tocar viola como meu irmão, mas acharam que eu era pequeno e me ensinaram violino", recorda. Anna Eliza tinha uma amiga que frequentava as aulas e também a convidou. "Fui por curiosidade e acabei ficando", conta ela.
Silva foi apresentado pelo irmão mais novo que, segundo ele, chegava em casa e o corrigia no violão. "Me deu vontade de aprender mais e foi assim que conheci o violoncelo", conta. Pereira resume que "música é tudo". "Tudo que sou hoje devo à música. Meu plano para o futuro é continuar estudando e fazer faculdade", planeja.
Para Nascimento, a música, com toda a rigidez e disciplina exigidas dos estudantes, trouxe liberdade. "É uma linguagem através da qual me expresso e me trouxe oportunidades que eu nunca tinha imaginado, como participar de festivais e viajar. São experiências que eu jamais teria tido", diz.


