Música para quebrar a rotina
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sexta-feira, 26 de julho de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Na correria da manhã, uma pausa para música. O convite surgiu das cordas de 50 violinos, tocados pelos alunos do Festival de Música de Londrina (FML), ontem no Calçadão (centro). Se a intenção dos professores André Isaia e Maycon Coelho era quebrar o cotidiano dos londrinenses com uma dose de música, eles conseguiram.
Próximo ao horário de almoço, o Calçadão literalmente parou para a passeata musical que encerra as atividades infantis da 33ª edição do FML. Quem estava de passagem aproveitou para registrar o momento pelo celular e quem estava trabalhando não resistiu em dar uma espiadinha.
"Escutei um som diferente e vim conferir. Estou achando ótimo porque a música muda um pouco o ambiente. Dá mais alegria ao Calçadão", diz Everson Francisco Marcon, atendente de farmácia. O casal Antônio Carlos e Lidia Monteiro não estava trabalhando, mas também foi despertado pelo som dos violinos. "Acho uma graça. A música dá uma sensação de alegria, esperança. É lindo", comenta Lídia, professora aposentada.
Com um repertório bem didático, alunos entre 4 e 36 anos do curso de Violino Suzuki passaram pela experiência de tocar para um público bem diversificado; e o que é mais inusitado, enquanto caminhavam. "Foi a parte mais difícil, mas valeu a pena porque foi legal ver as pessoas parando para olhar", conta Mateus Henrique de Oliveira, um entre vários alunos de projetos sociais que participaram do Festival.
Mateus está há dois anos no projeto "Sinfonia Musical", no Jardim Nossa Senhora da Paz (zona Oeste), que atende cerca de 200 crianças e adolescentes entre 5 e 15 anos. "A participação dos alunos no FML vai além de aprimorar a técnica e da prática em conjunto. Eles têm a oportunidade de conhecer e interagir com outras crianças que tocam o mesmo instrumento", diz o professor de violino Brenno Castello Branco.
É através de projetos sociais como este, que o professor André Isaia, de Santa Maria (RS), atribui o interesse cada vez maior das crianças pelo instrumento de corda. "A maioria desses alunos participa de projetos do município. É o segundo ano que venho para o Festival e já deu para perceber um número maior de crianças", afirma.
Entre os violinistas, a alegria era perceptível no rosto daqueles que se apresentavam pela primeira vez e até entre os mais acostumados, como Elias Bastos, de 4 anos. O pequeno músico é de Jacareí (SP) e veio com os pais que também são músicos. "É legal porque tem um monte de professor e criança tocando. Eu gosto de tocar de tudo, mas às vezes a mão cansa um pouquinho", diz o garoto, com ar de experiência.
Priscila Bastos diz que o interesse do filho pela música motivou bastante a vinda da família para o evento. "Não é fácil encontrar crianças na mesma idade dele, que tocam violino. Esse contato é muito importante", observa a mãe, ao lembrar do primeiro "encontro" de Elias com o instrumento. "Ele brincava com o violino entre carrinhos e outros joguinhos. Perto dos dois anos, ele me pediu para ensinar. Nunca o forçamos a tocar. Ele gosta e agora, diariamente, toca um pouco. Para estimular, eu o acompanho com o piano", diz.
Elias roubou a cena no final da apresentação e tocou duas músicas sozinho, deixando a timidez de lado. A passeata começou em frente ao Cine Teatro Ouro Verde e terminou nem frente ao Banco do Brasil, onde também houve apresentação da Big Band Plaenge.


