O canto de um pássaro logo pela manhã inspira qualquer pessoa. Tanto que há quem crie, dentro de casa, dezenas deles. O som das aves, no entanto, pode ir além da contemplação. Competições do tipo são promovidas por criadores em diversas cidades do Paraná. No fim de semana, foi realizada em Londrina a quinta etapa de torneio organizado pela Associação Londrinense Metropolitana de Criadores de Pássaros (ALMCP). A disputa reuniu cerca de 130 aves.
Quem não é familiarizado com o assunto fica se perguntando quais os critérios para julgar o campeão de um torneio como este. Ao entrar na Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), local onde ocorreu o evento, o visitante já se deparava com um espantoso número de gaiolas dispostas lado a lado, em circuitos diferentes, e avaliadores fazendo marcações em uma tabela.
Eles marcavam a quantidade de vezes que o pássaro cantou. Algumas das espécies de aves participantes do torneio – trinca-ferro, azulão, coleiro e canário-da-terra – têm canto rápido e curto, por isso são as mais indicadas para este tipo de competição.

Música para os ouvidos dos criadores
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O torneio é realizado em duas etapas: na primeira, classificatória, os avaliadores marcam o número de cantos das aves por dez minutos. São classificados em torno de 40 pássaros, com quantidade mínima de cerca de 85 cantos. Já a fase final dura 15 minutos. É vencedora a ave que canta o maior número de vezes dentro do período estabelecido.
Em outro galpão da Epesmel, ocorria outro tipo de competição, em que as aves eram avaliadas pelo tempo do canto. Por isso, participavam as espécies bicudo e curió, que têm canto mais longo e melodioso, conforme explica José Carlos Mattos, presidente da ALMCP.
Mas existem condições para que as aves cantem. É preciso que sejam machos e, na maioria dos casos, venham com uma fêmea. O macho canta para competir pela fêmea com outros machos, aponta Mattos. "O macho canta para a fêmea quando sente que há outra ave se aproximando", explica. Na hora da competição, entretanto, as fêmeas ficam em um local reservado e os machos são dispostos em gaiolas lado a lado - mantendo uma determinada distância para que não briguem. Ao final da competição, retornam para perto das fêmeas para que se sintam seguros.
Os criadores que inscrevem suas aves para participar de torneio são como técnicos. São eles que vão definir se o pássaro está apto ou não a participar das competições, pois pode haver ano em que eles cantam mais, e outros em que nem tanto. "São como lutadores de boxe, mas não é só trazer a achar que eles vão cantar", diz Wilson Roberto Decena, vendedor de peças e admirador de pássaros. Com uma de suas aves, ele já conquistou o primeiro lugar numa competição estadual. "Acima de tudo, ele (o pássaro) tem que estar bem", alerta.

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