O ritmo contagiante do maracatu deu início, ontem, a um projeto que pretende melhorar as relações sociais de estudantes e comunidade da Escola Estadual Ana Molina Garcia, na Vila Ricardo (Zona Leste de Londrina). A proposta é que, por meio de oficinas nas áreas das artes visuais e da música, haja expansão do repertório artístico e sócio-cultural dos alunos e melhoria no desempenho acadêmico, através de interferências no projeto pedagógico da escola. Além de apresentações artísticas, serão ofertadas oficinas de flauta doce, percussão, violão, grafite e vídeo.
Apresentações do grupo Lata, de Maracatu, marcaram o lançamento do projeto, que será realizado durante 21 meses. O ''Identidade e culturas juvenis: agregando escola e comunidade'' é um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) com a Universidade sem Fronteiras, programa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
Localizada numa região carente e estigmatizada pela ocorrência de alguns episódios de violência nos últimos anos, a Ana Molina Garcia foi escolhida justamente por essa característica. ''O objetivo é promover o trânsito de alunos e professores aos aparelhos culturais da cidade. A periferia quase não tem acesso a essas manifestações culturais'', opinou a coordenadora do projeto, Magali Kleber.
A professora da UEL Solange Mezzaroba, responsável pela psicologia social e institucional do projeto, acrescentou que as atividades artísticas serão inseridas no contexto pedagógico de outras disciplinas. ''A ideia é despertar nos alunos a consciência da importância da escola no dia a dia.''
Para o diretor-auxiliar do colégio, Jorgisnei Ferreira de Rezende, a iniciativa da UEL vai colaborar com outras ações de interação à comunidade, como o ''Escola Aberta'', que oferece atividades aos moradores da região aos sábados. ''O objetivo é desenvolver o sentimento de pertencimento à escola'', justificou.
Sem conhecer muito bem o ritmo e a dança tradicionais de Pernambuco, os estudantes empolgaram-se com a batida dos instrumentos e a animação dos músicos do grupo Lata. Viviane, 12, achou interessante e divertido. ''Nunca tinha ouvido falar dessa dança'', disse.
Luana, 12, que gosta de música pop e samba, aprovou o maracatu e espera as oficinas de violão para aprender o instrumento. ''Sempre quis tocar violão.'' Daniel, 15, também gostou do maracatu e comentou que deviam acontecer mais apresentações artísticas na escola.

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