Que tristeza, que nada. Pelo menos para cerca de 150 pessoas, que visitaram o Cemitério Parque das Alamandas (Zona Oeste de Londrina), durante a manhã de Finados, o momento foi de recordar os bons momentos vividos ao lado dos entes queridos, embalados por muita música. As 28 famílias, que têm parentes enterrados no cemitério recém-inaugurado, foram presenteados com uma apresentação pra lá de emocionante de três corais - de Minas Gerais, Espírito Santo e Alagoas -, que vieram pra participar do Festival Unicanto e toparam se apresentar no Parque.
Com um repertório que incluía desde música sacra até música popular brasileira (MPB), a animação dos grupos contagiaram amigos e familiares, fazendo com que a dor pela morte se transformasse em celebração à vida. A professora aposentada Neuza Correia de Morais aprovou a iniciativa.
''A música é sempre um alimento para a alma e acredito que a apresentação foi uma maneira de homenagear as pessoas que foram tão importantes em nossa vida'', enfatizou Neuza, emocionada. ''Meu marido morreu há pouco mais de um mês e eu quase não saía mais de casa, não tinha muito ânimo. Mas depois dessa apresentação, estou até pensando em acompanhar o Festival de Canto.''
''Não só aprovei as apresentações dos corais, como também acho que a iniciativa deveria se espalhar para os outros cemitérios. Tem muita gente que não tem a possibilidade de ouvir música boa assim'', destacou a servidora pública Miriam Tsuge Costa, que visitou o túmulo do pai Chinobu Tsuge, falecido há seis meses.
Improviso
Além de estilos musicais diferentes, a apresentação contou também com cantores de diferentes gerações. Como é o caso do regente do coral 'Voz e Vida', de Bom Despacho (MG), Nivaldo Santiago, 82, que juntamente com o coral de 23 integrantes, apresentou um repertório de músicas sacras. ''Para nós é uma honra enorme participarmos de uma apresentação em homenagem às pessoas enterradas aqui e ao que elas representaram e representam na vida dessas famílias'', disse o regente, que atua na música desde os 17 anos.
A jovem Ariane Morales, 17 anos, integrante do grupo 'Acorde in canto' (ES), há cinco meses, se apresentou cantando 'Por enquanto', de Cássia Eller, e mostrou que a paixão pela música e o interesse por aprender sempre mais começa cedo. ''Essa é a primeira vez que viajo com o grupo e que me apresento para tantas pessoas. Momentos assim são únicos para nós, pois proporcionam um rica troca cultural'', afirmou.
Com 12 de formação e composto somente por mulheres da terceira idade, o grupo de coral 'Rugas de ouro' (AL), se apresentou com um repertório de músicas eruditas inglesas e deixou de boca aberta quem acompanhava a apresentação. Entre as componentes, estava a sorridente Elena Tenório, 70, que participa do grupo há cinco anos. ''Não foi nada planejado, quando nos convidaram para cantar aqui, ficamos meio perdidos, porque geralmente cantamos músicas folclóricas, mas não se encaixariam em uma apresentação como essa'', revela. ''Mas, acabamos improvisando um repertório e deu tudo certo.''

mockup