Muitos hospitalizados tiveram uma Páscoa diferente. Em um dia cristão, quando é celebrada a ressurreição de Jesus Cristo, familiares e pacientes tiveram uma dose extra de emoção e carinho. Com um violino, um violão e uma bela voz, integrantes do Grupo Contra-Ponto percorreram o Hospital do Coração tocando e entoando músicas religiosas e populares. Um pouco de solidariedade para quem passa por um momento difícil. ''Queremos agradacer as bênçãos recebidas de Deus e lembrar um dos seus mandamentos: Amai ao próximo como a ti mesmo'', lembrou o violinista Sandro Vasconcelos.
O grupo de músicos evangélicos existe há cerca de 14 anos. O seu repertório é formado por uma grande variedade de estilos: clássico, jazz, soul, black music, trilha sonora, gospel, evangélico, sacro e erudito. E tudo isso é compartilhado com as pessoas hospitalizadas em datas comemorativas e festivas.
''Para sermos abençoados procuramos levar uma palavra de ânimo em uma hora de necessidade. Quem não sabe doar, também não sabe receber'', observou Vagner Nogueira, com o seu violão. ''Queremos nos doar, compartilhar para sermos abençoados'', completou a cantora Ângela Maria.
Os pacientes, emocionados, agradeceram. ''Estamos passando por um momento delicado e (a apresentação) foi reconfortante. Meu marido ama música, foi uma benção de Deus, porque nada recompensaria este momento'', salientou Maria da Graça Cianca Ballalai. Ela acompanhava o marido, Nuno Maurício Ballalai, que está internado há 12 dias, dez dos quais na UTI. Ballalai, que é neurocirurgião, canta e toca violão e, inclusive, gravou vários CDs com músicas de Frank Sinatra e MPB.
''Foi uma gratificação, percebemos a doação dos músicos que poderiam estar no aconchego da família e doam este momento para quem está limitado porque não pode sair do hospital'', observou Maria da Graça.
Para o economista Mário Almeida a ação dos músicos é importante porque traz consolo a familiares e pacientes. ''Minha mãe está internada há sete dias na UTI, é uma iniciativa maravilhosa porque afasta um pouco o drama da morte que, aqui no Ocidente, é tenebrosa. Quebrou nossa tensão'', salientou.
O cantor Marcos Mendes, do Mato Grosso do Sul, estava visitando a mãe de Almeida que, disse, é como sua própria mãe. Naquele momento, ele fez sua homenagem à paciente tocando com o violão emprestado pelo músico, uma das suas canções preferidas: Vida Cigana (do compositor Gerado Espíndola). ''Vim me despedir e quando vi os músicos resolvi fazer essa homenagem a ela'', contou.
O Hospital do Coração já adota a musicoterapia como complemento ao tratamento médico. ''A música acalma, ajuda a trazer o paciente de volta à realidade, estimula a pessoa a voltar à consciência'', comentou a psicóloga do hospital Denise Guimarães. A proposta do estabelecimento é utilizar a música com pacientes de quadros considerados graves, como auxílio à melhora da qualidade de vida e estímulo para acelerar a alta hospitalar.

mockup