Música para a vida
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Um novo olhar sobre as pessoas com deficiência, aliado à maior tolerância da sociedade e a profissionais mais atentos, tem permitido a esta população explorar suas potencialidades. Um exemplo é a musicalização, capaz de estimular os dois hemisférios do cérebro.
A professora Kátia Araújo, da Escola Cantata, viu nas pessoas com deficiência a possibilidade de ampliar seu trabalho e, ao mesmo tempo, promover o contato deles com a música. Ela explica que a educação musical especial tem os mesmos objetivos da educação musical tradicional. ''A música proporciona o estímulo do desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor: esse é o tripé da formação para qualquer aluno. No entanto, com aqueles que apresentam alguma dificuldade, o educador deve ter a preocupação de conhecer sua deficiência e adaptar a metodologia de ensino às necessidades geradas por ela. Tudo para capacitá-lo, tornando possível seu conhecimento da linguagem e prazer musical'', completa.
A professora destaca que a música é muito importante como estímulo para o desenvolvimento do cérebro. ''A música educa e reabilita. Além disso, é a área do conhecimento que trabalha com os dois hemisférios. O esquerdo trabalha com o raciocínio, contagem de tempo, divisão, análise, organização e seriação. Já o direito trabalha com a criatividade, sensações, emoções, padrões do ritmo e memória auditiva.''
Além disso, conforme Kátia, com o estímulo a criança terá interesse em aprender, terá mais facilidade em vários aspectos do conhecimento, de percepção e de interação com a vida. ''Os sons, a música, têm poder de formar ligações no cérebro, chamadas de sinapses. Quanto mais ligações a pessoa tiver, mais compreensão e mais sinapses vai desenvolver. Esse processo, consequentemente, provoca a multiplicação dos neurônios. Se o estímulo for contínuo, eles mantêm-se vivos e isso resulta em mais inteligência'', completa.
Levando-se todos esses aspectos em consideração, as aulas individualizadas visam principalmente oferecer a vivência musical. ''Conforme o amadurecimento e suas limitações, o aluno passa pela musicalização - primeiro contato da criança com a música, como se fosse a pré-escola - tendo em vista a vivência corporal e dos instrumentos. Por isso, é fundamental que o educador conheça a deficiência de seu aluno e seus comprometimentos, bem como suas características e limitações, para que possa adequar o acesso à aprendizagem da melhor forma possível. O processo vai depender da deficiência e do grau dela. Meu objetivo é que ele compreenda a música.''
Na opinião de Kátia, apresentar a música às pessoas com deficiência é mais do que conhecimento, é dar oportunidade. ''Isso é educação, é cultura. Não é porque eles têm mais dificuldades que são incapazes; eles vão executar dentro de seus limites. Temos que dar a eles a mesma chance de uma pessoa 'normal', pois precisam de estímulos e de interação com o mundo. Se pensarmos que não vale a pena, eles estão fadados a ficar em casa sem aprender nada'', conclui.


