Música funciona como terapia
Música funciona como terapia
A música é um dos principais instrumentos de trabalho da Escola de Integração e Recuperação da Criança Excepcional de Campo Largo (Erce), para o tratamento e apoio aos seus alunos. Ao todo, a escola atende 244 portadores de deficiência mental, de nível moderada a profunda, entre zero e 37 anos. A partir dos 4 anos, os alunos já entram nas aulas de canto, no coral ou aprendem a manusear os instrumentos.
Os alunos estão recebendo, também, aulas de violão, através de um método novo, criado por Valmo Piassom, assessor do Tribunal de Justiça que trabalha como voluntário uma vez por semana na escola. Ao ver a dificuldade que os deficientes mentais têm para memorizar as notas musicais, Valmo criou o Método Piassom, que consiste na associação das notas musicais com as cores.
Com o uso de adesivos coloridos no braço do violão e uma engenhoca em madeira com as sete cores referentes às notas, ele está ensinando Francisco da Luz Filho, de 20 anos, que tocava pandeiro e já consegue tocar dez músicas. A presidente da Associação Erciana entidade mantenedora da escola Marilena Schiavon, pretende conseguir patrocínio para partilhar o método com outras escolas para excepcionais.
Em Curitiba, reconhecida como a capital que mais se preocupa em se adaptar para atender os portadores de deficiências, o presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná, Nivaldo Menin, reclama que muitas adaptações feitas nas ruas e prédios públicos não atendem as necessidades como deveriam.
A prefeitura faz as mudanças, mas não consulta a quem interessa, diz Menin. Um erro comum, por exemplo, acontece nos rebaixamentos das calçadas. Muitos são altos demais, outros ficam em cima de bueiros e muitos ficam em frente de postes de luz. Outros problemas são a falta de telefones públicos em altura baixa para ser usado pelos cadeirantes, poucas pistas antiderrapantes importantes para quem usa bengala ou muletas , falta de pistas táteis para os deficientes visuais e falta de acesso especial nos prédios públicos.
O grande problema são as barreiras físicas e arquitetônicas que impedem quem usa cadeira de rodas ou quem não enxerga de exercer seu poder de cidadania, diz a assessora especial de apoio à pessoa portadora de deficiência da Prefeitura de Curitiba, Regina Ester Gomes Cruz.
No que se refere à acessabilidade, a assessora especial garante: Os principais prédios públicos têm banheiros adaptados, há calçadas rebaixadas em todo o anel central e rampa de acesso em todos os prédios públicos. O único que não tem é o prédio da Universidade Federal, na Praça Santos Andrade.
Os shoppings e novos supermercados têm se adaptado com rampas e vagas de estacionamento preferencial aos deficientes, mas os outros prédios como bancos, cinemas, teatros, escolas, postos de saúde continuam sendo um problema, diz Irajá de Brito Vaz, presidente da Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas.
Outro problema, segundo o presidente do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, Paulo César Bravo, são os ônibus, que só têm adaptações em algumas linhas centrais e ligeirinhos. O diretor de Transportes da Urbs (empresa que gerencia o transporte de Curitiba) Euclides Rovani, diz que a adaptação de toda a frota não é possível em função de um problema tecnológico. É que o elevador dos ônibus é muito demorado, o que acarretaria em uma demora de 5 a 6 minutos em cada parada. (M.G.)





