Curitiba - Aos poucos, a animação da sala transforma-se em concentração. Em seguida, sons deixam de ser desafinados e soam por meio de notas musicais de forma harmônica. São músicas, marchas e cirandas de renomados artistas reproduzidas com alegria por alunos da Escola Municipal Pró-Morar Barigui, da Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Na instituição, o contato com a música começa cedo, a partir dos 4 anos de idade, e se estende por toda a primeira fase do ensino fundamental. Durante as aulas, os estudantes têm contato com a musicalização, que serve como uma alfabetização musical, em que conhecem elementos e linguagens como ritmo, intensidade dos sons e timbre. Já iniciados musicalmente, os pequenos podem optar por oficinas de música, em que aprendem a tocar xilofone, flauta, violão, ou ainda participar do coral da escola.
O projeto desenvolvido pela Pró-Morar antecipa uma realidade prevista na lei 11.769, de 18 de agosto de 2008. A determinação é que, a partir de 2012, todas as escolas brasileiras sejam obrigadas a oferecer o ensino de música nos ensinos fundamental e médio. A disciplina não é exclusiva e pode ser trabalhada com as demais manifestações artísticas: artes visuais, teatro e dança.
Integrantes de famílias de baixa renda, as crianças atendidas na Cidade Industrial apresentam rapidamente os resultados que o contato com as artes proporciona. Na sala de aula, as professoras percebem melhora de comportamento, interação e responsabilidade dos estudantes. Em casa, as crianças demonstram seus interesses por música, ao mesmo tempo que participam das manifestações culturais nas igrejas. ''Esses projetos resgatam valores de esperança, de um mundo melhor. Alguns alunos não tinham perspectiva e agora até dizem que querem ser flautistas'', conta a professora de música e uma das responsáveis pelos projetos, Viviane Elias Portela.
Assim como na Pró-Morar Barigui, os benefícios se repetem em todas as escolas municipais que desenvolvem projetos de música. Ao todo, o município conta com 70 corais e 19 fanfarras. Além disso, os estudantes participam de concertos didáticos, realizados em parceria com a Camerata Antiqua do Paraná e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Gislaine Cristina Pereira de Souza, 9, se destaca na flauta e no coral. A estudante da quarta série quer ser veterinária, mas não pretende abandonar a música quando crescer. Até lá, garante que vai conhecer outros instrumentos musicais. ''Quero aprender violão e xilofone'', conta.

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