Música estimula sistema cognitivo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de setembro de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Com a chegada dos 50, 60 anos e a aposentadoria, a tendência é que maioria das pessoas passem grande parte do dia em casa, assitindo TV, tirando um cochilo, aproveitando as horas livres para ''curtir a vida''. Mas será que isso pode ser realmente considerado um sinônimo de aproveitar as horas livres com qualidade?
Para o gerontólogo e educador musical do Serviço Social do Comércio (Sesc), Marcelo Caires, não. De acordo com pesquisas realizadas ao longo de três anos pelo especialista, sobre aspectos multidisciplinares do envelhecimento, o corpo funciona como qualquer outra máquina que, quando encostada e sem a devida manutenção, acaba ''enferrujando''.
E é para que isso não ocorra que o gerontólogo recomenda a prática e a aprendizagem musical na terceira idade como uma ferramenta de estímulo ao sistema cognitivo, ou seja, para a capacidade de adquirir conhecimento e de assimilar percepções.
''Culturalmente, muitas pessoas têm a ideia que depois dos 50 anos elas podem ficar meio encostadas, sem desempenhar a mesma quantidade e intensidade de atividades que desenvolviam aos 30 anos e isso é muito ruim para o sistema cognitivo como um todo'', afirma. ''Diante da expectativa de vida que temos hoje de 77 anos e considerando que muitas pessoas chegam ao 85, 90 e até 100 anos, não podemos considerar como algo saudável que uma pessoa viva 40 anos de sua vida sem aprender uma nova atividade.''
Segundo Caires, é sempre importante lembrar que vivenciar a música, seja por meio do canto, da dança ou da aprendizagem de um instrumento musical na terceira idade não é para que o idoso se profissionalize, mas para que ele desenvolva, de forma prazerosa, a percepção corporal, rítmica, a fluência verbal, a memória, a atenção e a concentração.
''A utilização da música com idosos tem alcançado importantes resultados na prevenção e paralisação da demência cognitiva'', informa.
De acordo com o pesquisador, a prática e a aprendizagem musical também têm apresentado resultados na manutenção da autonomia e contribuído como um importante fator de sociabilização. ''Durante as aulas de música, eu percebo que eles fazem novas amizades, desenvolvendo não só aspecto o aspecto cognitivo, sensorial e motor, mas também afetivo e social'', destaca. ''A música é o carro condutor no processo de envelhecimento com qualidade de vida e autonomia.''
Serviço:
Informações sobre as aulas de música para a terceira idade no Sesc: (43) 3378-7800.


