A lei que proíbe a execução de música ou qualquer tipo de som por aparelho eletrônico, alto-falante ou telefone celular em ônibus de transporte coletivo urbano ou escolar deve ser promulgada pela Câmara de Vereadores na próxima semana. O projeto de lei, de autoria do vereador Padre Roque, foi aprovado pelo Legislativo e encaminhado ao Executivo no dia 10 deste mês. A assessoria de comunicação da prefeitura informou ontem que o Executivo não irá se manifestar em relação à matéria.
Segundo a assessoria de comunicação da Câmara Municipal, caso isso se confirme, o Legislativo esperará vencer o prazo de 15 dias úteis para a sanção do Executivo, o que acontecerá no dia 31 de agosto, e esperará pelo comunicado oficial. Depois, poderá promulgar a lei mediante a publicação no Diário Oficial. Quando isso acontecer, o passageiro que quiser ouvir música durante o trajeto terá que usar fone de ouvido.
Para a empregada doméstica Madalena de Almeida, a proibição virá em boa hora. ''O som alto atrapalha o motorista e incomoda todo mundo. Sou a favor do fone'', opina.
A dona de casa Flávia de Almeida Lazarini Pires conta que já viu cobrador e motorista pedindo para diminuir o som e alguns engraçadinhos até tiram sarro e simplesmente ignoram o pedido. ''Gosto de ir para casa refletindo, sem estresse, mas nem sempre é possível com tanto barulho junto'', desabafa.
O motorista José Angelo gostou da novidade. ''O som é cruel e, dependendo do volume, atrapalha e tira a concentração. É funk, rap, rock. Não me incomodo com o estilo, mas com o volume. Dá de tudo e sem limites os passageiros ficam constrangidos e preferem não reclamar'', relata. Ele considera que o ambiente coletivo deve ser democrático, deve ser respeitado e o fone de ouvido é a solução ideal. ''Só não vou poder fiscalizar porque estou dirigindo'', adianta.
Rogério Inácio é motorista há mais de 10 anos e acredita que quanto mais silêncio no ônibus, melhor. Ele lembra que um adesivo fixado na frente do coletivo avisa: ''Favor não conversar com o motorista''. ''Precisamos ficar concentrados. O trânsito já é barulhento e a lei tem a ver com segurança'', expõe.
Com um fone de ouvido, o auxiliar administrativo Victor Henrique Costa Nascimento Guabetti curte Charlie Brown Jr. ''Prefiro usar fone porque não atrapalha os outros. Já presenciei outras pessoas com som alto e quem quer ficar em silêncio ou não gosta do estilo musical tem vontade de matar'', conta.
De acordo o projeto, agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), cobradores e motoristas ficarão responsáveis pela fiscalização. (Colaborou Vítor Ogawa/Reportagem Local)

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